O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, avisou nesta quarta-feira ao primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, que o Chifre da África "não pode tolerar mais conflitos", instando assim "todos" os países da região a respeitar a soberania de seus vizinhos e a evitar "incursões transfronteiriças".
Rubio transmitiu esses avisos ao chefe de Governo etíope em uma conversa telefônica na qual ambos trataram do "recrudescimento das tensões" entre a Etiópia e a Eritreia, após a ofensiva lançada no final de setembro pelo Frente Popular para a Libertação de Tigray (TPLF) contra o Executivo de Ahmed.
O máximo responsável pela diplomacia americana também pediu a "todas" as partes envolvidas no conflito que se inclinem pela "desescalada", sublinhando que o diálogo é "a única solução possível" para as disputas. Em uma breve nota, lembrou o acordo de paz assinado em julho de 2018 pelo atual primeiro-ministro etíope, um pacto que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz.
Na semana passada, a Etiópia acusou a Eritreia de apoiar o TPLF por meio de um suposto deslocamento de tropas na região de Tigray. Um dia depois, Asmara respondeu denunciando que Adis Abeba trava uma "guerra de agressão" contra o país, aproveitando o avanço das forças leais ao Governo etíope -- as Forças de Paz de Tigray (FPT) --, que acabaram tomando o controle da capital regional, Mekelle.
A etapa de normalização entre a Etiópia e a Eritreia após 2018 se concretizou, de fato, no apoio de Asmara a Adis Abeba durante a guerra contra o TPLF entre 2020 e 2022. No entanto, o Executivo etíope deu por encerrado em julho o acordo assinado em Petroria (África do Sul) após esse conflito, que deixou entre 100.000 e 600.000 mortos, segundo as diferentes estimativas.
O enfrentamento tem sido acompanhado de um aumento das fricções entre a Etiópia e vários Estados vizinhos, além da Eritreia, como Egito e Sudão, com as disputas pela represa no Nilo Azul e as demandas etíopes de conseguir uma saída para o mar Vermelho como pano de fundo.