A lição de Ceuta: JUPOL pede uma UPR central para blindar a Espanha diante de futuras emergências

A proposta do JUPOL: 8 novas UPR e uma unidade de elite para blindar as fronteiras e o interior sem desproteger outras zonas

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EuropaPress 7730310 migrantes esperan cola 24 agosto 2026 ceuta espana ong accem atiende

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JUPOL reivindicou hoje à Direção Geral da Polícia, que depende do Ministério do Interior, dirigido por Fernando Grande-Marlaska, que reforce de forma permanente as Unidades de Prevenção e Reação (UPR) depois das necessidades policiais que deixaram à mostra as últimas situações de crise. O sindicato pede oito novos grupos na Espanha, entre eles um adicional em Ceuta e outro em Melilla, e propõe criar uma UPR Central que possa deslocar-se imediatamente a qualquer ponto do país quando ocorrer uma emergência de segurança ou ordem pública.

A petição tem especial relevância em Ceuta, onde a entrada massiva de migrantes no final de julho obrigou a reforçar o dispositivo policial e a mobilizar efetivos para atender uma situação extraordinária. JUPOL sustenta que esse tipo de desdobramentos não deveria depender de transferir policiais destinados habitualmente em outros territórios e deixar debilitadas suas unidades de origem.

O sindicato já defendeu em 2025 a criação de uma UPR Central e recupera agora a proposta dentro de um plano mais amplo. Sua proposta passa por dispor de um contingente estável de reserva, preparado para mobilizar-se quando uma crise exigir mais policiais dos disponíveis no território afetado.

Um novo grupo para Ceuta e outro para Melilla

JUPOL considera prioritário aumentar a capacidade operacional das duas cidades autônomas por sua condição de fronteira exterior da União Europeia e pelas necessidades de segurança específicas que enfrentam.

A proposta contempla um novo grupo UPR em Ceuta e outro em Melilla para reforçar os dispositivos já existentes diante de episódios de pressão migratória, alterações da ordem pública ou outras situações que exijam aumentar rapidamente a presença policial.

As UPR fazem parte das unidades especializadas de Segurança Cidadã da Polícia Nacional e estão concebidas para atuar em situações que requerem uma resposta operacional reforçada. Entre suas funções figuram a prevenção da criminalidade, a manutenção da ordem e a intervenção diante de acontecimentos que superam as necessidades de um dispositivo policial ordinário.

O sindicato entende que as características de Ceuta e Melilla justificam contar com mais capacidade própria antes que ocorra uma emergência, em vez de depender sistematicamente de efetivos enviados da Península.

Uma UPR Central para mobilizar policiais diante de uma emergência

A outra peça da proposta seria uma UPR Central dependente da Comissaria Geral de Segurança Cidadã. Ao contrário dos grupos destinados em uma cidade concreta, esta unidade funcionaria como uma reserva operativa nacional e estaria preparada para deslocar-se onde fosse necessário.

JUPOL sustenta que esse modelo permitiria enfrentar acontecimentos imprevistos sem recorrer continuamente a policiais destinados em outras escalas.

"Não é razoável que a resposta a situações extraordinárias dependa de improvisações ou de desvestir outras escalas para reforçar um determinado território", afirma o secretário-geral do sindicato, Aarón Rivero.

A organização já propôs esta unidade em 2025, mas agora volta a reivindicá-la junto com a ampliação geral das UPR.

"A Espanha não pode enfrentar situações extraordinárias com uma Polícia dimensionada apenas para a normalidade. Quando aparece uma crise de segurança, o Estado deve ter capacidade para responder de forma imediata, organizada e com efetivos suficientes", defende Rivero.

Oito novos grupos em toda a Espanha

O plano enviado à Direção Geral da Polícia contempla oito novos grupos UPR em todo o país, embora JUPOL destaque especialmente os destinados a Ceuta e Melilla e a criação da unidade central.

O sindicato reivindica que a ampliação não se limite a reorganizar os efetivos disponíveis. Os novos grupos deveriam contar com agentes próprios, veículos, equipamento e meios materiais suficientes para operar sem reduzir a capacidade de outras unidades.

Este ponto constitui uma das principais reivindicações de JUPOL. Os desdobramentos extraordinários obrigam às vezes a deslocar policiais de seus destinos habituais para reforçar temporariamente outro território, pelo que o sindicato reivindica uma estrutura capaz de absorver esses movimentos sem reduzir as escalas de origem.

"Não queremos mais remendos. Queremos planejamento, previsão e uma capacidade real de resposta", aponta Rivero.

A crise de Ceuta reforça o pedido

A proposta chega depois que a crise migratória de Ceuta tenha obrigado o Estado a reforçar consideravelmente o dispositivo de segurança da cidade.

As entradas massivas registradas no final de julho levaram o Interior a mobilizar novos efetivos da Polícia Nacional e da Guarda Civil. Desde então, a gestão da fronteira e das milhares de pessoas que permaneceram na cidade manteve recursos extraordinários desdobrados.

O Governo decidiu esta semana elevar a resposta institucional ao declarar a situação de interesse para a Segurança Nacional e colocar o ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres, como autoridade funcional encarregada de coordenar as atuações.

JUPOL utiliza agora a experiência de Ceuta para defender uma mudança mais permanente na estrutura policial. Sua proposta não se limita a responder à crise atual, mas busca que a Polícia Nacional disponha de efetivos reservados para intervir diante de futuras situações extraordinárias sem ter que reorganizar equipes sempre que for necessário um desdobramento urgente.

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