Ampliação | O Governo ativa um comando único em Ceuta para priorizar a devolução e repatriação dos migrantes

O Governo ativa um comando único em Ceuta para coordenar a crise migratória e priorizar a devolução e repatriação com garantias legais e humanitárias.

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O Executivo central deu luz verde nesta terça-feira à figura do 'comando único' em Ceuta diante da crise migratória que atravessa a cidade autônoma. Esta nova estrutura estará sob a direção do ministro de Política Territorial e Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, e terá como objetivo principal a "devolução e repatriação" das pessoas migrantes que acessaram de forma massiva, tanto adultas como menores, sempre dentro do marco legal e com respeito aos direitos humanos.

A medida é adotada após a reunião extraordinária do Conselho de Segurança Nacional, presidida por Pedro Sánchez, na qual se analisou a "situação de interesse para a segurança nacional" em Ceuta depois da entrada, no final de julho, de mais de 80.000 migrantes pela fronteira com Marrocos.

A ministra de Inclusão, Segurança Social e Migrações e porta-voz do Governo, Elma Saiz, detalhou que, pela primeira vez, o Executivo colocará em marcha uma "autoridade funcional" — o denominado 'comando único' — liderada por Ángel Víctor Torres para "reforçar a coordenação" entre todas as administrações e organismos implicados. Segundo Saiz, isso representa uma "nova fase" na resposta do Estado em Ceuta.

Este 'comando único' disporá de um órgão colegiado no qual participarão a cidade autônoma, representada por seu presidente, Juan Jesús Vivas, a Delegação do Governo, o Centro Nacional de Inteligência (CNI), o Departamento de Segurança Nacional e onze ministérios com competências na gestão da crise migratória.

Neste cenário, Saiz sublinhou que "Ceuta é hoje o coração da Espanha" e ressaltou que o Executivo "esteve, está e vai continuar estando na cidade o tempo que for necessário com os recursos que forem necessários".

A porta-voz destacou a trajetória de Torres por sua etapa à frente do Governo das Canárias e insistiu que a conjuntura que vive a cidade autônoma é "extraordinária", o que exige também "uma resposta extraordinária" articulada "em distintas fases, desde a segurança e o controle da situação, a coordenação, a colaboração entre Administrações até a atenção humanitária".

"Devolução e repatriação" como eixo da nova fase

Em relação à primeira fase de resposta, Ángel Víctor Torres indicou que entre "24 e 48 horas" retornou a Marrocos entre 90 e 95% das mais de 70.000 pessoas que entraram nos dias 30 e 31 de julho em Ceuta, uma "atuação acertada que deu resultado", segundo defendeu.

Agora, o Governo abre uma segunda etapa destinada àqueles que não retornaram ao seu país de origem. O ministro destacou que a prioridade passa pela "devolução e repatriação da maior quantidade de pessoas", tanto adultas quanto menores, sempre ajustando-se à ordenação jurídica e aos direitos humanos, e considerando que a "regulação é distinta" em função da idade.

"A prioridade do Governo da Espanha é a devolução, mas é preciso fazê-lo levando em conta que se falamos de menores, reagrupamento familiar e com processos que estabelece a ordem internacional", destacou.

Torres reiterou a necessidade de identificar as pessoas migrantes, que "têm seus direitos", e de habilitar espaços adequados para sua acolhida. Ao mesmo tempo, ressaltou que, no caso dos menores, a meta é que "sejam devolvidos" garantindo sempre o interesse superior da criança.

O titular de Política Territorial também sublinhou a importância de concertar recursos específicos em Ceuta, Melilla ou Canárias, ao alertar que a chegada massiva de migrantes pode "voltar a se repetir". Acrescentou que da cidade autônoma estão saindo cerca de cem pessoas "a cada dia" e que "não estão entrando praticamente muito poucos".

Por fim, Torres adiantou que solicitou comparecer nesta quinta-feira na Comissão de Segurança Nacional e que viajará a Ceuta para manter diferentes reuniões de trabalho com as autoridades implicadas na gestão da crise.

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