Marlaska oferece uma versão distinta da de Robles sobre o CNI e volta a negar que antecipou a entrada massiva em Ceuta

Interior sustenta que nenhum serviço de inteligência antecipou uma entrada das dimensões do 30 de julho, enquanto Defesa assegura que o CNI analisou e transferiu informações para as Forças de Segurança e para a Delegação do Governo.

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O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, voltou a negar nesta terça-feira que existisse um relatório do Centro Nacional de Inteligência (CNI) que antecipasse a entrada massiva de migrantes em Ceuta no dia 30 de julho passado. "Não havia nenhum relatório que indicasse que no dia 30 de julho iria acontecer o que finalmente aconteceu", apontou o titular do Interior durante a coletiva de imprensa posterior ao Conselho de Ministros.

Uma afirmação que choca com a versão da ministra da Defesa, Margarita Robles, que defendeu nesta terça-feira no Congresso que os serviços de inteligência espanhóis "compartilharam e analisaram com as Forças de Segurança do Estado". "Serviços de Inteligência e obviamente o CNI realizaram o trabalho que competencialmente lhes era e é exigível", afirmou a ministra.

Por sua parte, Marlaska reforçou seu argumento sugerindo o que teria ocorrido se os serviços de inteligência tivessem detectado previamente um risco dessa magnitude. "Alguém pode entender que se tivesse sido vislumbrado algo parecido ao que ocorreu, levando em conta o que havia acontecido em maio de 2021, não teria sido elevado ao nível das mais altas instâncias?", questionou.

O responsável pelo Interior estendeu essa ausência de um alerta específico além do CNI. Segundo explicou, nenhum serviço de informação espanhol, serviço de países aliados nem outro organismo de inteligência antecipou "nada parecido" ao que finalmente aconteceu.

Robles assegura que o CNI compartilhou informações

Suas declarações ocorreram pouco depois da comparecência de Robles na Comissão de Defesa do Congresso, onde a ministra defendeu expressamente o trabalho realizado pelos serviços de inteligência durante os dias anteriores à crise.

Robles revelou que 25 membros do CNI estão destinados em Ceuta e monitoram de forma permanente assuntos que vão desde as relações com os países fronteiriços e a situação geopolítica do flanco sul até as máfias, o terrorismo jihadista, as ameaças híbridas e a imigração irregular.

Assim, a titular da Defesa também defendeu os agentes do CNI diante das críticas recebidas após a entrada massiva e apontou que o dever de sigilo que pesa sobre suas atuações "opera muitas vezes como uma laje" porque impede tornar público seu trabalho.

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