O vice-secretário de Política Autonômica e Local e Análise Eleitoral do PP, Elías Bendodo, qualificou nesta sexta-feira em Cartagena de "muito preocupante" a situação que se vive no litoral da Região de Múrcia. Ele responsabilizou o presidente do Governo, Pedro Sánchez, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, por terem transformado o Mediterrâneo em "autoestradas de impunidade para narcotraficantes e máfias".
O dirigente 'popular' fez essas declarações acompanhado pela prefeita de Cartagena, Noelia Arroyo, o porta-voz do PP na Assembleia Regional, Joaquín Segado, assim como por deputados regionais e nacionais e senadores do partido pela Região de Múrcia.
Segundo indicou, "estamos falando de um problema crescente, um problema de segurança, de controle de nossas fronteiras e de máfias que viram uma oportunidade em nossas costas e, neste caso, em Cartagena", para ressaltar que não se trata de chegadas em embarcações tradicionais, mas de "narcolanchas que são utilizadas como táxis para trazer pessoas da África para as costas de Cartagena".
Bendodo atacou a escassez de recursos das forças e corpos de segurança do Estado, sustentando que enquanto "as máfias chegam com lanchas cada vez mais rápidas e mais potentes", o Executivo mantém a Guarda Civil em "clara inferioridade de meios".
Neste ponto, ele especificou que o instituto armado conta na área com "quatro embarcações, mas duas delas estão fora de serviço e uma terceira com capacidade limitada", o que, em sua opinião, obriga os agentes a "arriscar a vida".
O responsável do PP apontou que as entradas de irregulares por mar na Região aumentaram este ano 140% e que "em Cartagena, em apenas uma semana, desembarcaram mais de 150 imigrantes nas narcolanchas", o que, em sua opinião, evidencia que "as máfias avançam porque o Governo claramente retrocede e eles veem isso".
Igualmente, ele criticou a atuação da representação do Executivo central na comunidade. Nesse sentido, apontou que o delegado do Governo, Francisco Lucas, "terá que explicar a todos os cidadãos da Região que enquanto a lancha batia em nossas costas e a Guarda Civil pedia meios, ele estava de férias como se isso não fosse com ele".
Durante a sua intervenção, Bendodo comparou a falta de meios na costa murciana com o despliegue realizado durante o descanso estival do presidente nas Canárias. Perguntou: "Por que para proteger as férias do presidente do Governo em La Mareta havia mais de 100 agentes, havia patrulheiras e havia drones? Isso não houve em Ceuta nem houve em Cartagena".
Iniciativas do PP no Congresso e Senado
O vice-secretário do PP avançou que sua formação registrou uma proposição não de lei tanto no Congresso como no Senado com o objetivo de reforçar a luta contra a imigração ilegal e o tráfico de pessoas nas costas espanholas, com "especial atenção nas costas da Região de Murcia". No texto, são reclamados mais efetivos, a substituição imediata das embarcações avariadas e um reforço dos meios aéreos, tecnológicos e de inteligência.
Além disso, anunciou a solicitação de comparecimento urgente de Marlaska na Câmara Baixa para que dê explicações sobre a situação concreta na Região de Murcia.
Bendodo questionou igualmente a gestão do Governo na crise de Ceuta, onde, segundo disse, "70.000 pessoas violaram as fronteiras espanholas e entraram em nosso país" sem que o Executivo tenha respondido, a seu entender, a duas questões essenciais: "como pôde isso acontecer" e se "está em condições de garantir que isso não volte a acontecer".
Também criticou as supostas discrepâncias entre a ministra da Defesa, Margarita Robles, e o titular do Interior, ao lembrar que a primeira "avisou antes da entrada massiva" com base em relatórios do CNI, enquanto o segundo "diz que esse aviso não existiu".
Sobre esse ponto, assegurou que ambos "estão centrados em ganhar a batalha para ver quem diz a verdade porque os dois mentem", e insistiu que Marlaska incorre em uma "deixa de funções absolutamente insustentável", para rematar que "a Marlaska só lhe resta uma saída, que é a demissão".
O responsável 'popular' lançou além disso um "chamado à calma" ao ressaltar que "à violência não se pode responder com mais violência". A seu entender, a saída para a crise passa por exigir ao Executivo que "assuma suas responsabilidades, resolva esta crise, coloque os meios sobre a mesa, negocie o que tiver que negociar" e "despliegue as forças que tiver que despliegar".
Na sua opinião, "quem tem que dar uma resposta é o Governo, que vem abandonando esta crise", e reiterou a seguir que "todos e cada um dos que chegaram irregularmente violando nossa fronteira voltem por onde entraram".
"O Governo abandonou os espanhóis"
Nesta linha, rejeitou que o Executivo transforme Ceuta "em um centro permanente de acolhimento" ou em um "campo de refugiados" e ressaltou que "não vamos permitir", após reprochar que "o Governo abandonou os espanhóis, não só os ceutianos, os cartageneros também".
Quanto à evolução dos acontecimentos na cidade autônoma, advertiu sobre a gravidade dos últimos episódios, lembrando que um grupo "atacou um veículo militar espanhol em Ceuta", um incidente no qual quatro militares ficaram feridos e 12 pessoas foram detidas.
Neste sentido, denunciou que "desplegar nossos militares em Ceuta sem o marco jurídico, sem as ordens apropriadas, sem os meios necessários, é também uma grande irresponsabilidade".
Adicionou que "este Governo não governa, este Governo se defende de tudo o que tem dentro, portanto, está incapacitado para continuar governando" e reiterou que "Ceuta não é da Espanha, Ceuta é Espanha. E isso no Governo parece que não têm totalmente claro".
Finalmente, afirmou que "o PSOE, está demonstrado, este Governo só acerta quando copia as medidas que fazemos desde o Partido Popular".
A prefeita de Cartagena reclama mais meios
Por sua parte, a prefeita de Cartagena, Noelia Arroyo, denunciou que "a Delegação do Governo e o Ministério estão se esforçando o tempo todo em negar o problema" derivado da chegada de embarcações à costa.
Arroyo advertiu que "se se nega o problema, se adotam essa política de negacionismo, não podem resolver o problema e precisamos que ele seja resolvido", e criticou que desde a Administração central se pretenda que os cartageneros "se acostumem" a que "cheguem criminosos encapuzados à plena luz do dia à nossa costa".
Além disso, lamentou que "em Cartagena temos que nos acostumar a ter um déficit de efetivos e meios obsoletos, avariados".
A regidora avançou que colocará em marcha uma reunião de trabalho para trasladar a todos os âmbitos possíveis as iniciativas que "nos permitam exigir a dotação dos efetivos que precisamos de Guarda Civil e de Polícia Nacional" e reclamou que "se aplique a lei e que toda aquela pessoa que entre de maneira irregular na Espanha, através da nossa costa, seja de volta".