Feijóo confirma que o PP se personificará na causa da Audiência Nacional pela crise de Ceuta

Feijóo anuncia que o PP se personará na Audiência Nacional pela crise de Ceuta e acusa o Governo de abandono e colapso institucional.

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O presidente do PP e chefe da oposição, Alberto Núñez Feijóo, confirmou neste sábado que sua formação se personificará na causa aberta na Audiência Nacional que investiga o que aconteceu durante a crise de Ceuta. Além disso, adiantou que no próximo dia 2 de setembro se deslocará à cidade autônoma para assistir ao Dia de Ceuta, que definiu como "o Dia de toda a Espanha".

Durante seu discurso no ato de início do curso político do PP realizado no município pontevedrense de Cerdedo-Cotobade, Feijóo defendeu que os cidadãos têm "direito a saber toda a verdade" sobre o que aconteceu em Ceuta. Ele qualificou de "patéticas" as comparecências dos ministros sobre esta crise nos últimos dias, sublinhando as discrepâncias dentro do Executivo em relação à informação prévia à entrada maciça.

Nesse sentido, ele recordou que a ministra da Defesa, Margarita Robles, sustenta que os serviços de Inteligência atuaram e informaram à Polícia, à Guarda Civil e ao Governo, "enquanto que, segundo Feijóo, o Executivo diz que ela não conta a verdade".

"É evidente que, no mínimo, alguém mente, e eu acho que mentem todos", afirmou o dirigente 'popular'. Ele voltou a exigir que a diretora do Centro Nacional de Inteligência (CNI), Esperanza Castelerio, compareça ao Senado para detalhar quando foi dado o aviso, quais dados foram transferidos e o que o Governo sabia antes da entrada ilegal de milhares de imigrantes em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho.

Após insistir na necessidade dessas esclarecimentos, Feijóo avisou que "haverá consequências" e tornou pública a decisão do PP de se personificar no procedimento judicial que está sendo instruído na Audiência Nacional sobre esses fatos. "Os responsáveis pelo abandono terão que comparecer e prestar contas à Justiça", destacou.

O líder do PP ressaltou que Ceuta "não é um problema concreto", mas "o sintoma de um Governo colapsado", e mencionou a corrupção, o bloqueio parlamentar, a ausência de Orçamentos, a descoordenação, a crise interna do Executivo e o "abandono das coisas públicas" como manifestações de "uma mesma forma de governar".

"Vimos nos últimos meses a Espanha apagada, a Espanha calcinada e a Espanha invadida. Para Ceuta demoraram um mês, para roubar demoraram alguns dias. A frivolidade, a incompetência e a irresponsabilidade é o Partenon da política sanchista dos últimos anos", acrescentou.

CRÍTICAS AOS PARCEIROS DO GOVERNO POR "LAVAREM AS MÃOS"

Feijóo fez críticas extensivas aos aliados parlamentares do presidente Pedro Sánchez, a quem reprochou "lavarem as mãos" e se limitarem agora a fazer "declarações para a galeria". "São responsáveis, todos são responsáveis", enfatizou.

Ele sustentou que o que ocorreu nesta crise afeta "a própria existência da Nação, à sua soberania e à sua integridade territorial" e que exige uma reação "imediata, coordenada, corajosa e com determinação". Frente a isso, acusou o Governo de "ausentar-se", "fechar por férias" e "abandonar Ceuta".

Além disso, criticou o Executivo por ter demorado quase um mês para "copiar as propostas do PP" de declarar a situação de interesse para a segurança nacional, fixar um comando único, solicitar reforços à Frontex e anunciar um reforço da equipe de Estrangeiros, entre outras ações.

NO DIA 2 DE SETEMBRO, "O DIA DE TODA A ESPANHA"

O presidente 'popular' detalhou que viajará nesta quarta-feira a Ceuta coincidindo com o Dia da Cidade "em representação do primeiro partido da Espanha". Ele sublinhou que, "além disso, este ano não é apenas o Dia Institucional de Ceuta, é mais do que nunca o Dia de toda a Espanha".

Ele também lembrou que nesse mesmo dia, às oito da tarde, haverá concentrações nas praças dos municípios convocadas pela Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP) para transmitir aos ceutianos que "não estão sozinhos" e que "não os vamos abandonar". Feijóo incentivou os cidadãos a se juntarem e insistiu que a convocação "não vai contra ninguém".

Em sua intervenção, elogiou a "coragem e a dignidade" do povo ceutiano e o trabalho do presidente da Cidade Autónoma, Juan Jesús Vivas, do PP, a quem descreveu como "um político de Estado". "Durante esta crise o Estado foi ele e o Governo abandonou Ceuta nas mãos do presidente da cidade", enfatizou.

"HÁ MAIS DIGNIDADE EM UMA DELEGACIA DO QUE EM TODO O GOVERNO"

Feijóo também dedicou parte de sua intervenção às Forças Armadas e às Forças e Corpos de Segurança do Estado que atuaram em Ceuta, sublinhando que eles "cumpriram" enquanto aqueles que os dirigem "não sabem dar instruções", "não oferecem meios nem cobertura legal para agir" e "os deixam vendidos e sobrecarregados".

"Quem nos protege merece respeito, meios e dignidade", reivindicou, antes de assegurar que "há mais dignidade em uma delegacia de Polícia e em um quartel da Guarda Civil do que em todo o Governo da Espanha".

Em sua conclusão, o líder da oposição voltou a apresentar Ceuta como "o sintoma de um Governo colapsado" e vinculou esta crise a outros conflitos que atribui ao Executivo. "Vimos nos últimos meses a Espanha apagada, a Espanha calcinada e a Espanha invadida, algo que nunca havia acontecido", resumiu.

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