A ex-ministra de Assuntos Estrangeiros entre 2020 e 2021, Arancha González Laya, descreveu como "guerra híbrida" a chegada massiva de migrantes a Ceuta nos dias 30 e 31 de julho, e lamentou que a principal conclusão que extrai desses eventos é que "chegamos tarde".
"Desde que entram 80.000 pessoas pela fronteira exterior da União Europeia chegamos tarde, então a primeira lição é que isso não pode voltar a acontecer", assinalou durante uma análise da situação atual em "Hora 25" da "Cadena Ser".
A ex-ministra precisou que o que aconteceu na cidade autônoma constitui "uma agressão híbrida na fronteira exterior da União Europeia", embora tenha sublinhado que não se trata de um fenômeno exclusivo de Ceuta, mas sim "o que está acontecendo no mundo".
Diante desse cenário, González Laya reclamou em escala europeia reforçar "a capacidade de detecção" de "essas ações híbridas" dentro do espaço comunitário, com o objetivo de antecipar-se a episódios semelhantes.
Em relação ao papel de Marrocos nessa entrada massiva, a ex-chefe da diplomacia espanhola evitou apontar diretamente para Rabat, embora tenha admitido que existem "antecedentes" e "um constante questionamento da soberania espanhola".
"Isso sim que devemos ter muito presente, isso deve ser uma preocupação porque isso é uma linha vermelha", advertiu González Laya, que insistiu que o status internacional das cidades autônomas "não está em questão".
Nessa linha, a ex-ministra lembrou que os ataques "híbridos" complicam sempre "uma atribuição", mas ressaltou que, apesar dessa dificuldade, finalmente pode-se determinar sua origem porque "todos trabalham para alguém".