A Comissão Executiva Regional do PSOE de Ceuta anunciou que o partido estará presente na manifestação convocada para o próximo 2 de setembro. A direção transmitiu essa decisão a toda a militância e sustenta que responde ao sentimento majoritário da cidadania e de seus afiliados diante da situação que vive atualmente a cidade.
"Somos socialistas e somos ceutianos, e não existe nenhuma contradição entre ambas as coisas", sublinhou a Executiva Regional, que defendeu a compatibilidade entre a defesa dos direitos humanos e a rejeição aos discursos xenófobos, por um lado, e a reivindicação de segurança, um controle real da fronteira e ações que permitam recuperar "o mais rápido possível" a normalidade em Ceuta, por outro.
A postura é adotada em plena crise migratória e em um contexto de forte tensão interna dentro do PSOE de Ceuta, uma organização marcada há anos por episódios de fratura, choques entre dirigentes e a saída de cargos de seu grupo parlamentar, com casos de transfugas que modificaram a correlação de forças e o funcionamento da Assembleia.
As discrepâncias se agudizaram durante a atual crise migratória, depois que o deputado socialista e primeiro vice-presidente da Assembleia, Melchor León, questionou de forma aberta a atuação do Governo da Espanha e atacou seu próprio secretário-geral e delegado do Governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano.
León responsabilizou o Executivo central e o representante do Estado na cidade por "abandonar" Ceuta em plena crise e nas últimas semanas se juntou a protestos cidadãos nos quais se exigiu a demissão de Pérez Triano. "O delegado é o máximo responsável", afirmou o parlamentar do PSOE, que considera que "o mais coerente" após ter "falhado ao povo de Ceuta" é que o delegado apresente sua renúncia.
Frente a essas críticas internas, a Executiva Regional do PSOE insistiu em separar sua presença na manifestação de qualquer choque com a direção federal do partido ou com o Governo da Espanha. A organização enfatizou que sua participação responde a uma "realidade estritamente local" e que não implica colocar em dúvida "o compromisso constante do Delegado do Governo com Ceuta".
Por enquanto, o PSOE ceutiano optou por não esclarecer se seu secretário-geral e delegado do Governo estará finalmente na marcha.
A formação explicou que sua decisão chega após um processo de "escuta ativa" à militância nas últimas semanas. "Ouvir, propor e agir em consequência é, precisamente, o compromisso que a Comissão Executiva Regional assumiu desde o primeiro momento", lembrou a direção.
O partido mantém que seu objetivo central continua sendo articular uma resposta "eficaz e rápida" à crise, ao mesmo tempo que reconhece os avanços já alcançados e se compromete a continuar exigindo todas aquelas medidas que julgar imprescindíveis para Ceuta.
Nesta linha, o PSOE de Ceuta admite que percebe o "cansaço, a preocupação e o mal-estar" que se estende entre os vizinhos e assegura que compartilha esse estado de ânimo. "A defesa de Ceuta e a exigência de soluções não são patrimônio de nenhuma sigla", ressaltou.
A Executiva Regional marcou como limites intransponíveis qualquer forma de violência ou conduta que possa prejudicar a convivência, e situa sua presença na marcha dentro de uma mobilização que define como "pacífica, cívica e respeitosa com os direitos humanos".
"Mais uma vez, reiteramos nossa condenação firme e sem nuances diante de qualquer forma de violência, venha de onde vier e se dirija contra quem se dirigir", enfatizou o partido, que rejeitou agressões, insultos, ameaças ou atos de intimidação contra policiais, jornalistas e cargos públicos.
"Hoje, mais do que nunca, Ceuta merece respeito e união. Porque acima de nossas diferenças está o que compartilhamos: Ceuta. Nossa convivência. Nossa gente. E Ceuta está muito acima de tudo isso", destacou a formação.
"Em momentos difíceis, nosso lugar está junto à nossa gente, ouvindo, propondo, exigindo soluções e defendendo Ceuta onde for necessário. Esse é e continuará sendo nosso compromisso", concluiu a Comissão Executiva Regional.