O ministro dos Transportes e Mobilidade Sustentável, Óscar Puente, desmentiu que as palavras do presidente do Governo, Pedro Sánchez, sobre uma eventual visita do Rei Felipe VI a Ceuta contenham um "reproche" em relação ao monarca. Segundo sublinhou, se existe algum tipo de crítica, "é para aqueles que quiseram utilizar a figura do monarca em uma crise migratória".
"Eu não sou suspeito de não fazer reproches à Casa Real se considerar que é necessário, mas acredito que nas palavras do presidente do Governo o que se encerra é um reproche àqueles que quiseram fazer uma utilização da figura do Rei para um debate político, os que dizem que se eles fossem presidentes o Rei iria lá", assinalou Puente nesta segunda-feira em uma entrevista no programa 'Malas lenguas' de 'La 2', recolhida pela Europa Press.
O ministro respondeu assim às manifestações realizadas por Sánchez horas antes, quando afirmou que há "argumentos e razões suficientes" para que Felipe VI viaje às cidades autônomas de Ceuta e Melilla, onde não se deslocou desde sua proclamação em 2014, e assegurou ainda que "essa visita será feita" quando forem dadas as condições adequadas.
Neste contexto, Puente colocou o foco na presença dos chefes do Executivo na cidade autônoma e lembrou que "apenas três presidentes do Governo visitaram Ceuta em quase 50 anos de democracia". "Adolfo Suárez, José Luis Rodríguez Zapatero e Pedro Sánchez", enumerou, destacando que este último o fez "em cinco ocasiões". Frente a isso, reprochou que os ex-presidentes José María Aznar e Mariano Rajoy "só foram em campanha eleitoral para dar comícios e não em visita institucional".
"Esta é a realidade, o Rei da Espanha visitou uma vez Ceuta e o fez com um Governo socialista, com José Luis Rodríguez Zapatero no ano de 2007", assinalou. Questionado por que não considera "oportuno" que Felipe VI fosse a Ceuta nos primeiros dias de agosto após a entrada massiva de migrantes, Puente explicou que, sob a perspectiva do Executivo, não se dão agora mesmo "as condições em Ceuta para que o Rei faça uma visita".
O titular dos Transportes insistiu que, embora desconheça se as palavras de Sánchez "encerravam algum reproche", caso existisse não tem "dúvida" de que "é para aqueles que quiseram utilizar a figura do monarca, mais uma vez, em uma crise política, migratória e humanitária como esta".
Interrogado também sobre se percebe tentativas de politizar ou marcar ideologicamente o chefe do Estado, Puente reconheceu que "esse risco sempre existe". No entanto, apontou que considera que "em linhas gerais" a Casa Real sabe delimitar "corretamente" o papel institucional do Rei.
Relação com Marrocos e gestão da fronteira
Em paralelo, o ministro defendeu a relação com Rabat e ressaltou que Marrocos "tem sido e é um parceiro muito confiável e necessário". Ele valorizou "a boa colaboração e relação" com o país vizinho e rejeitou como "uma tese completamente descabida" que a entrada massiva de pessoas em Ceuta responda a "uma operação orquestrada" pelas autoridades marroquinas.
"Sei que vende muito para alguns culpabilizar e responsabilizar Marrocos, mas essa não é a posição do Governo. Se neste momento não confrontamos com o Governo marroquino, não é porque não tenhamos autonomia, é que não acreditamos que seja justo nem conveniente", argumentou, antes de ressaltar que "o bem" para a Espanha "passa por boas relações" com Marrocos.
Nessa linha, sustentou que "a Europa deve contribuir para o desenvolvimento do norte da África" porque "essa é a melhor garantia de blindagem das fronteiras". A seu ver, "Ceuta é uma das fronteiras mais sensíveis do mundo porque a diferença que há entre a qualidade de vida de quem está de um lado e os que estão do outro é tão abismal que é lógico que haja gente que tente legitimamente ter um futuro melhor e isso só pode ser blindado com desenvolvimento".
((( HABRÁ AMPLIACIÓN )))