Torres reprocha a Feijóo converter Ceuta em um ato eleitoral e rejeita a comparecência da diretora do CNI no Senado

Ángel Víctor Torres acusa Feijóo de usar eleitoralmente a crise migratória em Ceuta e rejeita que a diretora do CNI compareça no Senado.

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O ministro de Política Territorial e Memória Democrática e atual comando único do Governo em Ceuta, Ángel Víctor Torres, acusou neste sábado o presidente do PP, Alberto Núñez Feijóo, de utilizar de forma "eleitoral" a crise migratória que atravessa a cidade autônoma. Ao mesmo tempo, descartou que a diretora do Centro Nacional de Inteligência (CNI) deva comparecer ao Senado, como vem reclamando a oposição.

Torres fez essas manifestações no programa 'Malas lenguas' da RTVE, depois que Feijóo anunciou sua intenção de recorrer aos tribunais ao considerar que o Executivo "não está à altura" na gestão da situação em Ceuta e exigiu a presença da responsável do CNI na Câmara Alta.

"Estamos ouvindo Feijóo em um ato de partido", afirmou o ministro, que defendeu que essa demanda de comparecimento já havia sido respondida "antes que ele fizesse essa afirmação em um ato eleitoral". Segundo Torres, o líder do PP está tentando tirar proveito político da crise em vez de contribuir para sua solução.

O titular de Política Territorial instou a oposição a "ser responsável" e lamentou que, "em vez de dar uma mão e estar ao lado do que se exige, que é uma resposta a Ceuta", esteja "fazendo comícios". "Cada um que faça e que decida o que fazer de acordo com o que tem em mente e sua consciência", destacou, reprovando os populares por priorizarem a confrontação política em detrimento da colaboração institucional.

Diante das críticas do chefe dos 'populares', que assegurou que o presidente do Governo, Pedro Sánchez, "não sabe o que é Ceuta", Torres replicou que o chefe do Executivo "esteve mais" na cidade autônoma "do que outros presidentes que só vinham, como o senhor Aznar, quando vinham fazer atos eleitorais". "Eu estive em Ceuta muitas vezes sendo ministro", acrescentou, lembrando também sua etapa à frente do Governo das Canárias.

O ministro detalhou que mais de 70.000 pessoas cruzaram a fronteira do Tarajal nos dias 30 e 31 de julho e que 90% retornou em um prazo de 48 horas. Ele ressaltou, além disso, que as supostas segunda e terceira ondas massivas previstas para agosto finalmente "não ocorreram". "Já devolvemos mais de 200 imigrantes que cometeram atos contra a lei", explicou, precisando igualmente que "mais de 50 já renunciaram ao pedido de asilo" e que desde 10 de agosto "mais de 3.200 imigrantes retornaram em retorno voluntário".

Quanto à situação atual nas ruas de Ceuta, Torres calculou que entre 4.000 e 4.500 pessoas continuam pernoitando ao relento na cidade. Ele insistiu que "a vontade é que todos sejam devolvidos, todos os que entraram no dia 30 e no dia 31, de acordo com a lei", exceto "aqueles que têm verdadeiramente direito à proteção internacional, que são muito poucos". No caso dos menores, ele sublinhou que "a prioridade é a reagrupação familiar" e seu retorno ao Marrocos, sempre dentro do marco legal e de proteção à infância.

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