Colocar um implante coclear antes que o bebê complete seu primeiro ano de vida melhora de forma notável o desempenho médio desses dispositivos que, em numerosos casos, resolvem os problemas de audição dos pacientes e elevam sua qualidade de vida, segundo conclui um estudo do Departamento de Otorrinolaringologia da Clínica Universidade de Navarra.
O trabalho, divulgado na revista "International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology", confirma que a idade da intervenção é o fator chave para alcançar melhores resultados, já que aumenta a porcentagem de palavras que a criança é capaz de compreender corretamente nos testes de audição realizados a um volume de conversa habitual.
Todos os menores operados antes de completar 12 meses –sem exceção–, aos quais se seguiu durante uma década, entendiam adequadamente palavras faladas dez anos depois. Em contrapartida, entre aqueles que foram intervenidos aos 9 ou 10 anos, apenas quatro de cada dez alcançaram esse nível de compreensão, enquanto três de cada dez não conseguiam entender nem um quarto das palavras avaliadas.
Além disso, cada ano de atraso na cirurgia foi relacionado com uma perda de mais de três pontos percentuais na compreensão da fala aos 10 anos. "Operar dentro do primeiro ano de vida não só consegue melhores resultados, mas também que estes sejam mais homogêneos e previsíveis. Isso nos permite acompanhar as famílias com expectativas muito mais confiáveis", explicou o otorrinolaringologista da clínica Manuel Manrique.
Para realizar o estudo, os especialistas analisaram a evolução de 494 crianças operadas na Clínica Universidade de Navarra antes dos 10 anos –uma das coortes pediátricas prospectivas mais amplas e com maior tempo de acompanhamento publicadas– e avaliaram durante dez anos a porcentagem de palavras que compreendiam em uma cabine insonorizada, a volume de conversa normal. Posteriormente, compararam os resultados de acordo com a idade em que haviam sido intervenidos e revisaram quais outros fatores clínicos e técnicos tinham um impacto real.
Os dados revelam também que ter utilizado aparelho auditivo antes da cirurgia contribui para melhorar a compreensão da fala, embora esse efeito positivo demore um tempo para se tornar evidente. Da mesma forma, os eletrodos situados em proximidade ao nervo auditivo oferecem melhores resultados nos primeiros anos, enquanto variáveis como o sexo, o lado do ouvido intervenido ou a causa da surdez não modificam o desfecho final.
"O design do eletrodo e o uso prévio de um aparelho auditivo contribuem para os resultados, mas operar cedo é o fator decisivo: todas as crianças da nossa série implantadas antes do ano entendiam bem a fala uma década depois", ressaltou Manrique.
Intervenção precoce e detecção precoce
De acordo com a Confederação Espanhola de Famílias de Pessoas Surdas, um em cada mil recém-nascidos na Espanha apresenta surdez severa ou profunda. Nesse cenário, a melhoria dos programas de triagem auditiva neonatal, a evolução tecnológica dos implantes e o aperfeiçoamento das técnicas cirúrgicas permitiram reduzir progressivamente a idade de implantação. No entanto, os autores insistem na necessidade de impulsionar estratégias de intervenção precoces, otimizadas e adaptadas a cada paciente para garantir uma detecção e encaminhamento o mais rápido possível.
"Com este estudo demonstra-se que quanto mais cedo se intervenha, melhor. Não quer dizer que um implante coclear não sirva em outras idades, mas sim que os resultados que se obtêm se colocado durante o primeiro ano de vida são melhores. Por isso, é necessário que se desenhem estratégias que permitam atender de forma rápida as crianças que nascem com surdez severa ou profunda", apontou Manrique.
O Programa de Implantes Cocleares da Clínica Universidade de Navarra já soma 37 anos de trajetória e mais de 1.300 pacientes tratados, com um elevado grau de satisfação entre as famílias.