As comunidades do PP e Canárias freiam o Plano de Educação Inclusiva do Governo

O plano de Educação propõe reforçar os centros ordinários com mais profissionais e recursos e reconverter progressivamente os de educação especial em espaços de apoio. As comunidades do PP e das Canárias rejeitam-no por falta de uma memória económica.

5 minutos

fotonoticia 20260916141900 1920

fotonoticia 20260916141900 1920

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

Última atualização

5 minutos

Mais lido

O Plano Estratégico de Educação Inclusiva impulsionado pelo Ministério da Educação não conseguiu nesta sexta-feira o apoio da Conferência Setorial. As onze comunidades governadas pelo PP e Canárias votaram contra, enquanto que as quatro autonomias presididas pelo PSOE, País Basco e o próprio Ministério o apoiaram.

A rejeição abre uma nova disputa entre o Governo e boa parte das comunidades sobre uma estratégia que pretende transformar progressivamente a atenção educativa do alumnado com necessidades específicas. O projeto propõe que a escola ordinária se torne a referência para escolarizar o alumnado com deficiência e autismo e que os centros de educação especial evoluam principalmente para funções de apoio, aconselhamento e referência para o sistema ordinário.

O Ministério sustenta que o plano não implica o fechamento desses centros e que deverá ser desenvolvido posteriormente por meio de um plano de ação com medidas, financiamento e prazos concretos. As autonomias contrárias ao documento, no entanto, questionam precisamente que lhes tenha sido pedido apoiar o marco sem dispor ainda dessa memória econômica.

O PP reclama uma memória econômica e o Ministério fala de "estratégia partidista"

O financiamento se situou no centro do enfrentamento. As comunidades governadas pelo PP argumentam que o documento não inclui uma memória econômica que determine quanto custará aplicar as medidas e como serão financiadas.

O conselheiro de Educação de Cantábria, Sergio Silva Fernández, reclamou que o Governo assuma um compromisso financeiro para evitar que as decisões estatais terminem repercutindo sobre os orçamentos autonômicos.

O secretário de Estado de Educação, Abelardo de la Rosa, rejeitou esse argumento e defendeu que a memória econômica chegará em uma fase posterior. A seu ver, o documento submetido nesta sexta-feira às comunidades constitui o "marco conceitual" sobre o qual posteriormente deverão ser desenvolvidas as normas e o financiamento.

De la Rosa atribuiu o resultado a razões políticas. "Surpreendentemente foi rejeitado pelas comunidades autônomas onde governa o PP", afirmou antes de lamentar que, a juízo do Ministério, uma "posição ideológica" e uma "estratégia partidista" tenham impedido avançar com o marco comum.

O secretário de Estado também deixou claro que a Educação pretende seguir em frente apesar do resultado da Setorial: "A rejeição das comunidades autônomas não nos impedirá de continuar com o trabalho".

O futuro de 45.000 alunos de educação especial

Um dos pontos centrais do plano afeta os 45.725 alunos com deficiência ou autismo que, segundo os últimos dados oficiais coletados no documento, estudam atualmente em centros de educação especial ou em salas específicas dentro de centros ordinários. Representam aproximadamente 14% deste alunado, enquanto os 86% restantes já estão escolarizados em centros ordinários.

A estratégia propõe avançar progressivamente em direção a uma maior escolarização em centros ordinários, embora introduza uma ressalva para o alunado que necessite "uma atenção altamente especializada".

Os centros de educação especial passariam progressivamente a atuar "principalmente como centros de referência, assessoria e apoio ao sistema ordinário", de forma que seus profissionais e recursos contribuam para atender ao alunado com deficiência em escolas e institutos ordinários.

O próprio plano reconhece que essa mudança requer recursos adicionais: mais professores, redução de ratios, estabilidade das equipes, formação específica e novos perfis profissionais, além de maior tempo de coordenação entre as equipes. O Ministério define oficialmente o plano como um marco para avançar em direção a um sistema inclusivo e melhorar, entre outros aspectos, a dotação de recursos, a formação docente e a acessibilidade.

Madri e Castela e Leão temem que se limite a escolha das famílias

A controvérsia não se limita ao custo econômico. Algumas comunidades do PP consideram que o modelo pode acabar restringindo a possibilidade de que as famílias escolham entre a educação ordinária e a especial.

Fontes da Comunidade de Madri defenderam seu "compromisso firme com a Educação Especial e a liberdade de escolha das famílias" e asseguram que entendem que o objetivo do plano é acabar com o atual modelo.

Castela e Leão também considera que a proposta pode "restringir a liberdade das famílias". A Junta sustenta que a educação inclusiva e a Educação Especial são compatíveis e defende que cada estudante deve receber os apoios que melhor se adaptem às suas necessidades, tanto em um centro ordinário quanto em um específico.

O Ministério sustenta uma interpretação diferente. O documento aponta que um sistema inclusivo não deve obrigar as famílias a escolher entre receber apoios especializados e participar em um ambiente educativo comum, mas sim garantir simultaneamente ambas as possibilidades.

Psicólogos, fisioterapeutas ou enfermagem escolar

A transformação proposta não se limita ao lugar onde estudam os alunos. O documento propõe incorporar ou reforçar na escola ordinária novos perfis profissionais para atender a uma maior diversidade de necessidades.

Entre eles aparecem profissionais de educação e integração social, mediação intercultural, auxiliares de educação especial, intérpretes de língua de sinais, logopedia, fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia educativa ou enfermagem escolar. Poderiam trabalhar diretamente nos centros ou por meio de serviços externos coordenados com os docentes e as equipes de orientação.

Também se propõem mudanças na organização das salas de aula, com ferramentas como a codocência —dois professores trabalhando simultaneamente—, agrupamentos flexíveis e o Design Universal para a Aprendizagem, além de revisar a avaliação psicopedagógica para identificar as barreiras que encontra cada aluno e determinar os apoios necessários.

A estratégia propõe igualmente uma distribuição equilibrada do alumnado com necessidades entre a escola pública e a concertada e a criação de um observatório de educação inclusiva com indicadores comuns para todas as comunidades.

Sim há acordo para repartir 31,3 milhões para FP

A divisão sobre educação inclusiva não se trasladou a todos os assuntos abordados na reunião. A Conferência Setorial sim deu luz verde ao reparto de 31,3 milhões de euros entre as comunidades autônomas para impulsionar a Formação Profissional, com o respaldo de todas as autonomias.

O Ministério também informou às comunidades sobre os trabalhos para modificar o real decreto destinado a reduzir as ratios na Educação Infantil, Primária e Secundária. As comunidades do PP questionaram a proposta, que qualificam de "chapuza" e "inviável", e reclamam financiamento estatal para aplicar as novas exigências.

A reunião ocorreu além disso poucos dias depois de se conhecerem os últimos resultados do PISA, que também fizeram parte do debate apesar de não figurarem inicialmente na ordem do dia. As comunidades colocaram o foco na deterioração dos resultados, enquanto que a Educação sustenta que a queda afeta também outros países e aponta a compreensão leitora como um dos âmbitos prioritários de melhoria.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?