O grupo de hackers Jabaroot, que voltou a se situar no foco pela filtração de informações relacionadas com os serviços de segurança de Marrocos e suas acusações sobre a crise migratória de Ceuta, já havia protagonizado meses antes outro ataque contra uma instituição marroquina. O Instituto Nacional de Cibersegurança (INCIBE) documentou em abril de 2025 uma filtragem atribuída ao grupo contra a Tesouraria Nacional da Segurança Social de Marrocos.
Segundo explicou o INCIBE, Jabaroot publicou em 8 de abril de 2025 dados confidenciais extraídos da CNSS marroquina. O conjunto de informações filtradas incluía mais de 53.000 arquivos com registros de quase meio milhão de empresas e cerca de dois milhões de empregados.
Os documentos continham, entre outros dados, informações sobre a afiliação a empresas, números de identificação de trabalhadores, salários e dados de contato. O INCIBE apontou ainda que a maioria desses dados parecia ter ficado exposta em texto claro em servidores comprometidos.
INCIBE coletou a motivação política atribuída ao ataque
O organismo espanhol explicou que, segundo as declarações feitas pelo próprio ator de ameaças, a filtragem da Segurança Social marroquina respondia a uma motivação política. Jabaroot apresentou o ataque como uma represália por outro incidente anterior contra a conta no X do Serviço de Imprensa Argelino.
Aquele ataque havia sido atribuído por Jabaroot a atores vinculados a Marrocos e a conta foi renomeada como "Sahara Marocain", em referência à disputa entre Marrocos e Argélia pelo Saara Ocidental. Posteriormente, a conta foi suspensa.
Depois de anunciar a filtragem da CNSS, Jabaroot divulgou também conteúdo adicional no Telegram, incluindo uma captura de tela que supostamente mostrava um ataque contra a página web do Ministério do Trabalho marroquino. O grupo assegurou que aquela ação fazia parte de uma campanha mais ampla como resposta a outros incidentes atribuídos a hackers marroquinos contra instituições argelinas.
A filtragem atual volta a situar Jabaroot no centro do caso
A nova aparição do grupo ocorre depois que Jabaroot divulgou dados de membros dos serviços de segurança de Marrocos e assegurou dispor de uma base de dados com informações de cerca de 70.000 registros. O grupo agora vincula sua atividade à crise migratória de Ceuta e acusa responsáveis da cúpula de segurança marroquina de terem participado no planejamento da entrada massiva registrada no dia 30 de julho passado.
Entre as informações cuja divulgação foi atribuída a Jabaroot figuram nomes e dados pessoais de integrantes da Direção Geral de Supervisão do Território (DGST), o serviço de inteligência interior marroquino, e da Direção Geral de Segurança Nacional (DGSN), a Polícia do país.
A dimensão exata desta nova filtragem requer cautela. As informações disponíveis indicam que Jabaroot divulgou nomes e datas de nascimento de alguns membros dos serviços marroquinos e afirma dispor de outra base de dados com cerca de 70.000 registros. Não existe uma confirmação oficial independente de que todos esses registros correspondam a agentes de inteligência ou policiais.
As acusações sobre a entrada massiva em Ceuta
A organização aponta diretamente para Abdellatif Hammouchi, responsável pela DGST e pela DGSN, e para Fouad Ali el Himma, um dos principais conselheiros do rei Mohamed VI, por seu suposto papel nos acontecimentos de Ceuta.
Segundo as mensagens atribuídas ao grupo, ambos teriam participado no planejamento da operação que resultou na entrada massiva de migrantes na cidade autônoma. Essas acusações provêm do próprio grupo responsável pela filtragem e não foram acreditadas de forma independente.
Jabaroot assegura ainda conservar documentação que ainda não foi tornada pública e anunciou que poderia revelar os nomes de quem, segundo sua versão, "orquestrou e coordenou o plano de Ceuta". O grupo também afirma dispor de ordens dirigidas a agentes que se deslocaram a Fnideq, a localidade marroquina de Castillejos situada junto à fronteira ceutí, antes e durante os acontecimentos do dia 30 de julho.