Asaja C-LM denuncia que as ajudas por danos do coelho são curtas e chegam tarde

Asaja C-LM carrega contra as ajudas por danos do coelho, que vê insuficientes, tardias e mal desenhadas, e mantém a protesta de 6 de outubro.

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Asaja Castilla-La Mancha atacou as bases reguladoras das ajudas para prevenir os danos do coelho-bravo nas culturas agrícolas, divulgadas esta segunda-feira no Diário Oficial de Castilla-La Mancha (DOCM). A organização agrária questiona sua "deficiente qualidade técnica" e considera que a iniciativa "chega tarde e fica claramente aquém da magnitude do problema que os agricultores da região estão sofrendo".

A entidade lembra que a Consejería de Desenvolvimento Sustentável anunciou essas ajudas em março, pelo que passaram vários meses até ver publicadas as bases. A juízo de Asaja Castilla-La Mancha, essa demora demonstra que "a Consejería não fez os deveres com a rapidez e a dimensão que exigia um problema que há tempo vem atingindo as explorações agrícolas", segundo indicou em uma nota de imprensa.

O presidente de Asaja Castilla-La Mancha, José María Fresneda, sublinha que a pressão da organização permitiu alguns avanços, mas insiste que "ainda há muito a fazer". "Estamos no caminho e estamos conseguindo que se dêem passos, e isso deve ser reconhecido. Mas não podemos nos conformar com uma solução que já foi aplicada há anos e que não funcionou. E, além disso, continuamos deixando o agricultor pagar do seu bolso uma parte importante de um problema que não gerou. A resposta tem que ser muito mais ambiciosa e estar à altura da gravidade do problema", assinalou.

As ajudas fixam uma intensidade de 70% dos gastos subvencionáveis, com um teto de investimento de 14.500 euros. Para Asaja Castilla-La Mancha, esse nível de apoio é claramente "insuficiente". A organização havia reclamado ampliar os fundos destinados a essas ajudas para que a intensidade alcançasse 100% do investimento necessário, tanto nos sistemas de proteção de culturas lenhosas como nas malhas para culturas herbáceas.

Fresneda incide que "estamos falando de investimentos que o agricultor tem que realizar para proteger suas culturas frente a uns danos provocados por uma situação que ele não gerou".

Asaja Castilla-La Mancha vem alertando "reiteradamente" que o foco principal do problema se situa nas vias de comunicação e nos leitos de rios e ribeiros, onde se concentram numerosas zonas de refúgio e expansão do coelho. Por este motivo, a organização vê "prioritário" que as administrações competentes, entre elas ADIF, o Ministério de Transportes e Mobilidade Sustentável e as confederações hidrográficas, intervenham em suas infraestruturas, instalando uma cerca perimetral técnica e de alta resistência nas vias de comunicação, não apenas nas autoestradas autonômicas, mas também nas autoestradas e estradas nacionais, além de em áreas úmidas, lagoas e, em particular, nas ZEPA.

Além disso, Asaja Castilla-La Mancha censura que as bases contemplem como subvencionáveis apenas as atuações executadas após a lavratura da ata de não início. A organização havia pedido que as ajudas fossem retroativas para os investimentos realizados este ano, a fim de não deixar de fora os agricultores que, diante da gravidade dos danos, se viram obrigados a tomar medidas de proteção antes da publicação das bases.

A entidade agrária reclama também uma revisão do mapa territorial de aplicação, já que ainda há municípios afetados pelos danos do coelho que não figuram nas comarcas declaradas de emergência cinegética. Asaja Castilla-La Mancha cita de forma expressa os casos de Hita e Molina de Aragón, em Guadalajara, e Villarrubia de los Ojos, em Ciudad Real, entre os municípios que deveriam ser incorporados.

Críticas ao prazo de resolução e às exclusões

Por outro lado, a organização rejeita o prazo de até seis meses para resolver os pedidos, assim como a exclusão das parcelas com usos Sigpac de pasto permanente com árvores, pasto arbustivo e pastagem, o que, em sua opinião, impede agir em áreas onde se localizam muitos dos refúgios do coelho.

Também entende que a exigência de autorização prévia para eliminar montes implica mais trâmites administrativos e retarda uma resposta que deveria ser imediata, além de deixar sem definir com clareza alguns elementos-chave das cercas.

Fresneda resume a posição da organização ao afirmar que "estamos diante de umas bases reguladoras de escassa qualidade técnica. Foram publicadas umas ajudas que provavelmente o agricultor nem chegue a receber".

Em consequência, Asaja Castilla-La Mancha sustenta que a publicação dessas bases não altera a necessidade de continuar exigindo uma solução mais ampla e mantém a convocação de manifestação prevista para o dia 6 de outubro em Toledo.

A organização agrária reitera que continuará trabalhando para que sejam colocadas em prática "todas as medidas necessárias" para abordar de forma integral o problema do coelho, tal como defendeu na Mesa Regional do Coelho, onde apresentou um pacote de 18 propostas. Entre elas figuram a implantação de novos métodos de controle, o reforço das ajudas econômicas e o reforço e manutenção das infraestruturas que hoje atuam como focos de proliferação, com o propósito de reduzir as perdas que o setor agrário suporta.

Paralelamente, Asaja Castilla-La Mancha mantém abertos os trâmites perante a Fiscalia para conseguir uma resposta que garanta uma cobertura real dos danos através dos seguros agrários, e não descarta recorrer à justiça ordinária para reclamar, em seu caso, a depuração de responsabilidades e que se abra uma investigação ou se pratiquem as diligências necessárias para determinar a realidade e o alcance de uma situação que a organização vem denunciando há mais de vinte anos.

"Asaja Castilla-La Mancha está no caminho e estamos conseguindo coisas porque levamos anos insistindo e colocando esse problema em cima da mesa. Mas não vamos vender como uma solução definitiva algo que não o é. O agricultor precisa de uma resposta completa, e enquanto não a tivermos, continuaremos reivindicando, continuaremos com os trâmites perante a Fiscalia e nos manifestaremos no dia 6 de outubro em Toledo", concluiu Fresneda.

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