Abengochea (IU) acusa Azcón e Nolasco de irresponsabilidade por se recusarem a aportar soluções para Ceuta

Marta Abengochea (IU) acusa Azcón e Nolasco de eludir responsabilidades diante da crise migratória de Ceuta e rejeitar fundos estatais para menores.

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A coordenadora geral de Izquierda Unida Aragón e deputada autonômica, Marta Abengochea, denunciou nas Cortes de Aragón a "irresponsabilidade, negligência e incapacidade para governar" do presidente Jorge Azcón e do vice-presidente Alejandro Nolasco diante da situação que vive Ceuta e da atenção à infância migrante, recriminando-os por se negarem a "dar soluções" à crise migratória da cidade autônoma.

Em uma coletiva de imprensa, Abengochea criticou que o Executivo aragonês se recuse a sentar-se nos espaços institucionais onde se tentam consensuar respostas e, ao mesmo tempo, "tente utilizar essa situação para gerar manchetes, enfrentamento e lucro político".

Izquierda Unida criticou a decisão do Governo de Azcón de se ausentar da Conferência Setorial de Infância e Adolescência e de rejeitar a transferência extraordinária de 25 milhões de euros aprovada pelo Governo da Espanha para atender às crianças migrantes que se encontram sozinhas em Ceuta.

"Se o Governo de Aragón quer ajudar Ceuta, a primeira coisa que tem que fazer é trabalhar. E trabalhar significa sentar-se com o resto das administrações, estudar os problemas, apresentar propostas e assumir a parte de responsabilidade que nos corresponde. O que Azcón não pode fazer é se recusar a participar, boicotar qualquer solução e depois se colocar diante de uma câmera com cara de indignação", declarou Abengochea.

Competências e ausência na Conferência Setorial

A dirigente de IU Aragón sublinhou que os governos de Aragón, Extremadura e Castilla e León não assistiram a nenhuma das reuniões da Conferência Setorial de Infância e Adolescência desde que os atuais responsáveis assumiram seus cargos.

"PP e Vox demonstraram reiteradamente que não querem governar nem assumir responsabilidades. Querem ocupar as instituições, mas quando chega o momento de exercer as competências que têm atribuídas e enfrentar problemas complexos, se levantam da mesa", criticou.

Abengochea detalhou que os 25 milhões de euros destinados a Ceuta servirão para cobrir gastos já existentes na atenção aos menores que se encontram sozinhos, evitar que acabem na rua e aliviar a pressão que suporta a cidade autônoma.

Entre esses conceitos se incluem alojamento, manutenção, roupa, deslocamentos, assistência sanitária, apoio jurídico, acompanhamento socioeducativo, serviços de tradução e identificação e atendimento específico a perfis especialmente vulneráveis.

"Que parte de tudo isso rejeita exatamente o senhor Azcón? Que uma criança tenha um teto? Que possa comer? Que receba atendimento médico? Que Ceuta tenha recursos para enfrentar uma situação que não pode resolver sozinha?", perguntou a deputada do IU.

Contradição com o discurso patriótico

Para a Izquierda Unida, a postura do Governo aragonês manifesta uma profunda "contradição" com o relato patriótico que sustentam o PP e o Vox.

"Aqui se acaba rapidamente a prioridade nacional. Quando uma cidade espanhola precisa que o conjunto do Estado assuma coletivamente uma situação que a sobrecarrega, Azcón e Nolasco respondem que Aragão não quer saber de nada", insistiu.

Abengochea também enquadrou a situação migratória de Ceuta em um contexto geopolítico mais amplo, lembrando que Marrocos já utilizou em outras ocasiões os fluxos migratórios como ferramenta de pressão na fronteira espanhola.

"Aqueles que passam o dia dando lições de patriotismo deveriam ser os primeiros a entender que Ceuta não pode ficar sozinha e que a resposta tem que ser coletiva, europeia e respeitosa com os direitos humanos", afirmou.

A coordenadora do IU reprochou ao PP e ao Vox que pretendam enfrentar um fenômeno global como as migrações a partir "da negação da realidade e da fantasia".

"A migração existe e vai continuar existindo. Há guerras, desigualdade, perseguições, crises econômicas e uma emergência climática que desloca e vai deslocar milhões de pessoas. Por mais que o PP e o Vox fiquem irritados e não respirem, a realidade não desaparece", apontou.

Reclamação de cooperação e crítica à estratégia do Governo aragonês

Por esse motivo, reclamou políticas migratórias apoiadas na cooperação entre administrações, o planejamento, a solidariedade territorial e o respeito aos direitos humanos.

"Governar consiste precisamente em enfrentar realidades complexas e buscar soluções. O infantil é pensar que, se alguém se recusa a falar do problema, abandona as reuniões ou aponta as pessoas migrantes, o problema deixa de existir".

A Esquerda Unida acusou o Executivo de Aragão de "utilizar a situação de Ceuta como cenário para seu enfrentamento político enquanto rejeita as ferramentas concretas destinadas a aliviá-la".

"Se não comparecem a nenhuma reunião da Conferência Setorial, se rejeitam recursos para que Ceuta possa atender dignamente as pessoas, se não entendem esta situação como uma responsabilidade do conjunto do Estado e também não querem contribuir solidariamente para aliviá-la, que apoio estão oferecendo exatamente à sociedade ceutiana?", perguntou a parlamentar da IU.

"Convocar concentrações e fazer cara de muita indignação? Isso não é governar. O único que estão demonstrando é sua incapacidade para oferecer soluções e sua enorme capacidade para boicotá-las e fabricar manchetes", acrescentou. Abengochea também acusou Azcón de permitir que o Vox marque a posição do Governo de Aragão em matéria migratória.

"Cada vez que Nolasco precisa de uma manchete, Azcón lhe permite utilizar as instituições para alimentar o ódio e a confrontação. Aragão precisa de um presidente que governe, não de um presidente permanentemente pendente de até onde tem que se deslocar para que o Vox não o ultrapasse pela direita", advertiu.

A coordenadora geral da Esquerda Unida Aragão finalmente instou o Executivo autonômico a abandonar esta estratégia e a se implicar de forma ativa na busca de soluções. "Se de verdade querem apoiar Ceuta, a Espanha e contribuir para uma resposta europeia, sentem-se nos lugares onde se trabalham as soluções para os grandes desafios globais.

Dedicar toda sua energia a se irritar, boicotar acordos ou lançar propostas fantasiosas não resolve absolutamente nada". "Senhor Azcón, governe com maturidade e responsabilidade. Deixe de se submeter ao Vox, faça seu trabalho e assuma as responsabilidades que correspondem ao Governo de Aragão. Para isso estão as instituições e para isso governa", concluiu Abengochea.

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