As autoridades do Nepal atualizaram nesta quinta-feira para 270 o número de falecidos pelas inundações registradas na quarta-feira após a forte elevação do rio Bhotekoshi no distrito montanhoso de Rasuwa, próximo à fronteira com o Tibete, na China, um desastre que deixa mais de 30 feridos e centenas de pessoas em paradeiro desconhecido.
A Polícia nepalense apontou em um relatório divulgado nas redes sociais que até o momento foram localizados 108 corpos sem vida no distrito de Chitwan, convertido no principal foco das operações de busca e resgate. Da mesma forma, detalhou que 33 pessoas foram internadas em centros médicos e elevou para mais de 3.300 o número de agentes mobilizados nas áreas danificadas.
A esses dados se somam pelo menos três mortos e cerca de 560 desaparecidos, entre eles 260 estrangeiros, em território chinês, segundo informaram nesta mesma quinta-feira as autoridades do país asiático.
A Autoridade Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, com base em informações dos órgãos turísticos nacionais, situou em 579 o total de viajantes desaparecidos nas áreas atingidas pelas inundações, dos quais 466 seriam cidadãos estrangeiros e 113 de nacionalidade nepalense.
Horas antes, a Junta de Turismo do Nepal havia informado a meios locais que cerca de 400 turistas, todos eles peregrinos que se dirigiam ao monte Kailash, no Tibete, permaneciam em paradeiro desconhecido devido à falta de comunicações enquanto as inundações continuam afetando a região.
Pela manhã desta quinta-feira, o primeiro-ministro nepalense, Balendra Shah, explicou em uma mensagem nas redes sociais que seu Governo reforçou "desde o primeiro momento" os operativos de busca, resgate e assistência humanitária nas áreas afetadas. Como parte dessas ações, foram deslocados helicópteros tanto do Exército do Nepal quanto de empresas privadas, além de equipes terrestres especializadas.
"Para ajudar os cidadãos em situação de risco, o Exército nepalense entregou na noite passada suprimentos de ajuda humanitária, entre os quais estavam alimentos básicos, tendas e medicamentos", especificou Shah.
Em paralelo, as autoridades nepalenses instaram os turistas a manter a calma, se manter informados e seguir em todo momento as orientações oficiais de segurança emitidas pelos órgãos competentes.
Segundo apontou esta quinta-feira o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a grave inundação e o deslizamento de terras teriam se originado por "o colapso de um glaciar" situado rio acima. O organismo acrescentou que as imagens de satélite analisadas permitem concluir que "não ocorreu um terremoto" na zona que possa estar relacionado com a tragédia.