A redução do Imposto sobre Hidrocarbonetos que se aplica ao gasóleo aumentará até 20 cêntimos por litro na próxima terça-feira, 1 de setembro. Este aumento, em relação aos 5 cêntimos inicialmente previstos para esse mês, responde ao notável incremento do preço deste combustível durante julho.
O desagregado do IPC de julho confirmou que a subclasse do gasóleo registrou uma alta interanual de 15,7% nesse mês, superando o limiar de 15% fixado no decreto de medidas desenhado para conter o impacto econômico da guerra no Irã.
Ao ultrapassar esse limite, entra em vigor automaticamente a cláusula de salvaguarda incluída no plano de resposta anticrise, de modo que a redução do Imposto sobre Hidrocarbonetos aplicável ao gasóleo passará a ser de 20 cêntimos por litro a partir da próxima terça-feira.
Em contraste, a gasolina encareceu seus preços em 7,3% interanual em julho, abaixo do limiar de 15% estabelecido na norma, pelo que mantém o calendário ordinário de retirada gradual, com uma bonificação de 5 cêntimos por litro em setembro. "O mecanismo atua assim de forma proporcionada, reforçando a proteção apenas onde a pressão dos preços o justifica", sublinhou Economia.
O Ministério sustenta que o último Real Decreto-lei de medidas anticrise apresenta uma abordagem de proteção "adaptada à evolução do conflito no Irã, com um desenho prudente que permite voltar a elevar a proteção se se reproduzir um cenário adverso".
O resto das atuações incluídas no pacote anticrise continuam vigentes nos termos previstos nesse mesmo Real Decreto-lei.
Segundo Economia, o conjunto de medidas aprovadas até agora está dando resultados. Tanto o primeiro Plano de Resposta, em vigor desde 20 de março, como sua ampliação, validada pelo Conselho de Ministros no final de junho, estão logrando seu propósito principal: amortecer o impacto do 'choque' externo sobre a inflação e sobre a capacidade de compra das famílias.
Em concreto, o departamento calcula que essas iniciativas contribuíram para cortar a inflação em um ponto de média nos últimos meses. "Dito de outra forma, o plano de resposta amortizou mais de 60% do aumento dos preços pelo 'choque' externo que representa a guerra no Irã", defendem do Departamento que dirige Carlos Cuerpo.
O Executivo insiste que continuará realizando um acompanhamento "minuto a minuto" do impacto da guerra sobre a economia espanhola, "de mãos dadas" com os agentes sociais e os setores mais afetados.
O IPC de agosto sobe para 4,3%
Na última sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou o avanço do IPC, que volta a refletir uma forte escalada dos combustíveis.
A inflação interanual passou de 3,6% em julho para 4,3% em agosto, sete décimos a mais, alcançando seu nível mais elevado desde fevereiro de 2023 e superando novamente os 4% pela primeira vez desde abril de 2023.
Estatística atribuiu este forte aumento do IPC em agosto ao encarecimento dos combustíveis e lubrificantes para veículos particulares, assim como à evolução dos alimentos, cujos preços caíram menos do que em agosto de 2025.
"A inflação geral em agosto situa-se em 4,3% no cálculo interanual, devido principalmente ao encarecimento dos combustíveis pela persistência do 'choque' energético derivado da guerra no Irã", apontaram do Ministério da Economia.
De qualquer forma, os 4,3% ainda são um dado provisório. O número definitivo será publicado no próximo dia 15 de setembro, quando serão detalhados os produtos da cesta de compras que mais contribuíram para a alta dos preços em agosto.
Oito semanas seguidas de altas nos combustíveis
O preço dos combustíveis já soma oito semanas consecutivas de aumentos, encadeando um encarecimento próximo a 24% desde que foi eliminada a redução do IVA para 10% no início de julho, e marcando máximos do verão em plena operação retorno de agosto.
Concretamente, o litro de gasóleo encareceu esta semana 1,8% em relação à anterior, situando-se em 1,861 euros, consolidando-se em níveis máximos desde meados de abril.
Por sua vez, o preço médio do litro de gasolina avançou esta semana para 1,723 euros, após subir 1,55% em relação à semana anterior, alcançando máximos desde março, segundo os dados do Boletim Petrolero da União Europeia consultados pela Europa Press.
Com esses novos aumentos, o diesel acumula um incremento superior a 23,7%, enquanto a gasolina registra uma alta de 19,8% no mesmo período.