A dificuldade para encontrar candidatos com o perfil ou as habilidades adequadas se tornou o principal obstáculo do setor farmacêutico na hora de contratar novos profissionais. Assim reflete um relatório elaborado pela Pluxee, onde 84 por cento das companhias consultadas reconhecem se ver prejudicadas por essa situação.
O estudo "Chaves do novo equilíbrio laboral: tendências e desafios 2026" detalha que 95 por cento das empresas farmacêuticas tentaram somar pessoal durante 2025 e todas se depararam com obstáculos para cobrir suas vagas, embora as causas diferem das que predominam em outros setores.
Enquanto 51 por cento do tecido empresarial espanhol declara ter conflitos em torno do salário, no âmbito farmacêutico esse problema aparece apenas em uma de cada quatro companhias, o nível mais baixo entre as atividades analisadas. Em contrapartida, a falta de perfis adequados e, em segundo lugar, os desacordos sobre horários ou modalidade de trabalho são os fatores que mais dificultam a contratação.
Desde a Pluxee sublinham que a indústria farmacêutica continua sendo a que melhor compensa na folha de pagamento o impacto da inflação. Uma de cada três empresas neutralizou completamente o aumento de preços, 65 por cento o fez de forma parcial e apenas cinco por cento não aplicou nenhum tipo de ajuste.
Em relação aos planos de benefícios para a equipe, 80 por cento das companhias farmacêuticas já oferecem esse tipo de remuneração flexível ou complementar, situando-se à frente do conjunto do mercado, onde a média fica em 64,5 por cento. Além disso, 50 por cento das empresas do setor prevê ampliar ou incorporar novos benefícios em 2026, frente ao 42 por cento de média no restante das atividades.
ESTRATÉGIA DE FIDELIZAÇÃO
Essa política de compensação se reflete igualmente na estratégia de fidelização do talento. O setor dedica 74 por cento do esforço das equipes de recursos humanos (RH) para reter seus profissionais, frente ao 26 por cento que se orienta para a captação de novos perfis, liderando novamente em relação a outras indústrias. É o mesmo nível que apresenta o setor tecnológico e se situa quase oito pontos acima da média geral (66,25%).
A formação ganha peso como peça chave da compensação total, como evidencia o fato de que 82 por cento das empresas farmacêuticas está impulsionando programas formativos. De cara ao próximo ano, sete de cada 10 companhias planejam colocar em marcha novas iniciativas, centradas sobretudo em habilidades tecnológicas e inteligência artificial, e em segundo termo em liderança e gestão de equipes.
O relatório também destaca que o farmacêutico é o setor que melhor gerencia a diversidade geracional em suas equipes. Apenas 25 por cento das empresas considera que a combinação de diferentes idades representa um desafio relevante, frente a 34 por cento de média, e 15 por cento nem sequer percebe como um problema, a porcentagem mais elevada entre todos os setores.
90 por cento das companhias aplica "mentoring" inverso ou tradicional, a porcentagem mais alta do mercado; os planos de benefícios específicos por geração alcançam 80 por cento e os programas de acolhimento de novas incorporações e os grupos de trabalho intergeracionais estão presentes em 70 por cento das empresas. Esses elementos explicam que a convivência entre diferentes gerações é gerida com maior naturalidade nesta indústria.
"O setor farmacêutico demonstra que uma boa gestão do talento é uma vantagem competitiva real. Sua força em compensação é tão sólida que a falta de acordo salarial mal freia uma de cada quatro empresas na hora de recrutar, muito abaixo do resto dos setores. O desafio agora não é apenas sustentar essa liderança, mas continuar investindo nas alavancas que a tornaram possível em um mercado de trabalho cada vez mais exigente", apontou a diretora de marketing da Pluxee Espanha, Miriam Martín.