CGT, UGT e ÚTIL decidem esta segunda-feira se param a greve indefinida na Airbus e continuam a negociação

CGT, UGT e ÚTIL votam se adiar a greve indefinida na Airbus Espanha e continuar negociando uma oferta com aumentos ligados ao IPC e outras melhorias.

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Os empregados afiliados aos sindicatos CGT, UGT e ÚTIL na Airbus Espanha estão convocados esta segunda-feira a votar se paralisam a greve indefinida prevista para amanhã terça-feira e optam por seguir em frente com a negociação da última proposta da empresa, que contempla, entre outras medidas, um aumento salarial ligado ao IPC e a retirada de um recurso perante o Tribunal Supremo relacionado com o controle do absentismo.

Na passada sexta-feira, 21 de agosto, teve lugar uma nova sessão de mediação no SIMA na qual foram precisados vários aspectos do documento enviado pelo fabricante dois dias antes e foi esboçado um calendário de reuniões para o caso de que a consulta ao pessoal não prospere.

Apesar deste aproximamento, as três organizações sindicais mantêm para hoje uma paralisação de três horas nas fábricas espanholas, que servirá de antecâmara às assembleias nas quais se debaterá e decidirá a estratégia a seguir no conflito laboral.

"Aproveitaremos as assembleias para explicar com detenimento estas posturas e decidir juntos as ações a seguir, tanto perante o pedido dos mediadores como em relação à consecução dos nossos objetivos", indicou a UGT em um comunicado.

Segundo consta na ata da mediação de sexta-feira, à qual teve acesso a Europa Press, a direção da Airbus e os sindicatos acordaram ativar imediatamente um calendário de contatos, com uma primeira reunião marcada para amanhã no SIMA-FSP e uma frequência diária, salvo se ambas as partes acordarem outra cadência.

Os mediadores também sugeriram aos convocadores da greve que adiem seu início até que expire o período de negociação comprometido entre a empresa e a representação social.

Desde a companhia aeronáutica sublinharam ao apresentar o novo texto que "esta é uma nova etapa de negociação em direção ao futuro e que assegura a paz social fundamental para desenvolver um processo de negociação real e eficaz para alcançar uma solução".

A empresa também expressou que valoriza "positivamente" qualquer gesto que suponha um aproximamento entre as partes e que permita "um diálogo construtivo para alcançar um entendimento comum".

Compromissos chave na oferta da Airbus

Entre os elementos centrais da nova proposta, a Airbus propõe não apenas a garantia de aumentos salariais em linha com o IPC, mas também um percentual extra para recuperar o poder aquisitivo perdido em um prazo mais curto do que o manejado até agora, cujos detalhes concretos serão negociados nas próximas semanas.

Quanto ao absentismo, a empresa se compromete a retirar o recurso apresentado ao Tribunal Supremo contra a sentença favorável à UGT sobre o regime de pagamento das IT e, em consequência, a devolver as quantias descontadas da equipe na primeira folha de pagamento em que seja operacionalmente possível.

Em relação ao teletrabalho, a companhia propõe voltar ao cenário vigente antes do início do conflito, sem mudanças adicionais, e manter os acordos individuais assinados até a data.

Além desses três eixos, na mesa foram incluídas questões como o regime de férias, o serviço de refeitório, o transporte coletivo e suas rotas, a flexibilidade horária, as garantias de emprego vinculadas ao projeto Bromo, os acordos específicos de Cádiz e os catálogos de cargos, áreas nas quais a Airbus se declara disposta a sustentar ou abrir processos de negociação.

O secretário-geral da UGT na Airbus, Edmundo Otero, considera que o grau de avanço de alguns itens "está muito longe do que deve ser um marco para ter um acordo que está avalizado pelos trabalhadores da Airbus".

Ele também destacou que há outros temas que continuam "abertos à negociação pura", apontando que, embora a empresa aceite discutir a recuperação do poder aquisitivo, não concretiza "quanto tempo e em que quantidade".

Medição no SIMA e evolução do conflito

Após a desconvocação da greve do mês de julho, depois da rejeição ao pré-acordo selado com Sipa, CCOO e ATP, e uma vez restabelecida a normalidade nos centros de trabalho da Airbus Espanha, a multinacional optou por recorrer a uma mediação profissional no SIMA para tentar aproximar posturas e desbloquear o contencioso trabalhista aberto no país.

Nesse contexto, a companhia contratou os serviços do escritório de advogados Baker Mckenzie e anunciou uma mudança em sua cúpula de Recursos Humanos na Espanha, com a nomeação de Soledad Muñoz em substituição a Antonio Lasada, que estava há mais de 10 anos à frente dessa área no âmbito nacional.

Após três sessões de mediação, às quais CGT, UGT e ÚTIL deixaram de comparecer nas duas últimas, e diante do cenário de uma greve indefinida, a Airbus apresentou no SIMA, e simultaneamente à representação dos trabalhadores, um "Plantejamento de Diálogo e Paz Social" que reúne os principais pontos já mencionados sobre os quais a empresa se mostra aberta a continuar dialogando e pactuando.

"O desafio compartilhado é definir de forma conjunta um equilíbrio que garanta essa recuperação sem comprometer a competitividade da Airbus na Espanha nem prejudicar os aumentos individuais ou as promoções", acrescentou na semana passada em um comunicado dirigido aos trabalhadores.

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