O Brent perde os 90 dólares após a nova ofensiva comercial dos EUA contra o Irã

O Brent perde os 90 dólares após a ofensiva comercial dos EUA contra o Irã, que desencadeia sanções, tensão diplomática e resposta da China e Teerã.

3 minutos

fotonoticia 20260825132450 1920

fotonoticia 20260825132450 1920

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

3 minutos

Mais lido

O petróleo Brent, referência no mercado europeu, registra uma forte correção próxima a 3% e desce até 89,45 dólares por barril às 13h00, depois que os Estados Unidos colocaram em marcha sua ofensiva comercial contra o Irã, batizada como "Paria Econômico", com a qual pretende isolar completamente a economia iraniana e até punir os países que mantiverem qualquer vínculo econômico com o país asiático.

O Brent retrocedia assim desde os 92,11 dólares alcançados na abertura, após uma madrugada em que o governo americano detalhou um amplo pacote de sanções direcionadas contra entidades, particulares e navios relacionados com a República Islâmica, enquadradas na que foi apresentada como a "maior ofensiva financeira já orquestrada contra um adversário".

Em paralelo, o barril de West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, também sofria cortes superiores a 3% e situava-se em torno de 82,3 dólares.

"A partir de hoje (esta segunda-feira), as ações do Departamento do Tesouro e de outras agências estreitarão o cerco e bloquearão toda possível fonte de renda que financie a Guarda Revolucionária e o maligno regime iraniano. Estamos aplicando uma abordagem de zero vazamentos", afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em uma coletiva de imprensa.

A Administração Trump vinha antecipando há vários dias a implementação de novas medidas punitivas contra a economia do Irã, chegando a descrever a operação como o "Dia D econômico" --em alusão ao Desembarque da Normandia na Segunda Guerra Mundial--. No entanto, Bessent apenas concretizou nesta fase sanções adicionais sobre 60 organizações e pessoas, entre elas militares e altos cargos do país.

Ao mesmo tempo, Bessent instou a comunidade internacional a cortar qualquer laço econômico com Teerã, advertindo sobre possíveis represálias contra aqueles que facilitarem o financiamento iraniano, embora sem precisar que tipo de ações estão sendo consideradas nem quais estados poderiam ser afetados.

Questionado sobre a aparente falta de contundência e o atraso na aplicação de medidas mais duras, o responsável do Tesouro sublinhou que consideram "importante" conceder uma margem de adaptação aos países afetados. "Acreditamos que um aviso e um nível de expectativas claro é apropriado, e se as pessoas não querem cumprir com nossas expectativas, então esperamos, e eles deveriam esperar, que abandonem o sistema do dólar", ressaltou.

O debate chave reside agora em até onde Washington estará disposta a chegar com futuras sanções aos estados que continuarem comerciando com o Irã. A China figura como principal compradora de petróleo iraniano, os Emirados Árabes Unidos (EAU) mantêm uma troca bilateral que gira em torno de 21.000 milhões de dólares com Teerã e a Turquia depende em grande medida do gás natural iraniano, entre outros casos destacados.

No momento, o alto cargo americano manifestou sua preferência por esgotar a via diplomática para que esses países, e muitos outros, rompam seus laços econômicos com o Irã. No entanto, Pequim já replicou que tomará "todas as medidas necessárias" para "proteger com firmeza seus direitos e interesses legítimos" frente a qualquer atuação dos Estados Unidos.

"A China está acompanhando de perto os acontecimentos e adotará todas as medidas necessárias para proteger com firmeza seus direitos e interesses legítimos", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, que reiterou a rejeição de Pequim às "ilegais sanções unilaterais", segundo informa o diário chinês 'Global Times'.

Resposta do Irã e lembrança do Iraque

O Executivo iraniano minimizou as advertências de Washington e respondeu com ironia, evocando o célebre discurso do ex-presidente americano George W. Bush em maio de 2003, quando proclamou que as forças norte-americanas haviam "cumprido a missão" iniciada seis semanas antes com a invasão do Iraque.

Aquele mensagem de Bush, em que anunciou o fim das principais "operações de combate" e a queda do regime de Saddam Hussein, foi posteriormente muito questionada e tachada de prematura, especialmente à luz do recrudescimento da insurgência iraquiana, cujos ataques se prolongaram até a retirada definitiva das tropas americanas do Iraque em 2011.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?