A porta-voz nacional do BNG, Ana Pontón, considera que o Executivo central "não está à altura" da grave situação que atravessa Ceuta pela crise migratória e responsabiliza o PP e o Vox de tentar "encorajar" a xenofobia.
Em uma coletiva de imprensa oferecida nesta segunda-feira, Pontón ressaltou que a atual gestão "não pode contar com o apoio" de seu partido e lamentou que haja milhares de pessoas em um contexto em que, a seu ver, estão sendo vulnerados os "direitos humanos" e não se respeitam "mínimas questões de humanidade". "É algo que deve ser denunciado e dito com toda a clareza", apontou.
A dirigente nacionalista criticou que "a direita e a extrema-direita" pretendam "cronificar" a crise para "fazer partidarismo" e "alimentar as críticas de ódio e xenofobia".
Nesta linha, atacou o "oportunismo do PP", ao qual acusa de proclamar que "solidarizar-se com Ceuta" enquanto "não quer ser uma solução" para o conflito. "Qualquer pessoa, se tem coração e é humana, não pode olhar para o outro lado quando há crianças na situação em que estão neste momento. E quando um governo não tem coração, não podemos esperar nada", enfatizou.
Quanto ao papel de Marrocos no que aconteceu, Pontón indicou que lhe parece "impossível" pensar que um deslocamento de milhares de pessoas como o vivido em Ceuta "pudesse ser feito sem a colaboração" do país vizinho.
"Está claro que também não sabemos por que Pedro Sánchez pode querer exculpar Marrocos de sua responsabilidade em uma ação desse tipo", acrescentou, para insistir que é uma questão que deve ser esclarecida pelo próprio presidente do Governo em sua comparecência no Congresso.
Não assistir às concentrações da FEMP
Por outro lado, a líder do BNG adiantou que sua formação não comparecerá às concentrações promovidas pela Federação Espanhola de Municípios e Províncias (FEMP) nos municípios em razão da situação em Ceuta.
"Realmente são concentrações encobertas convocadas pelo Partido Popular para continuar alimentando o ódio e a xenofobia, utilizando a FEMP de uma forma partidária", denunciou.
Além disso, sublinhou que esta iniciativa evidencia o uso que o PP faz da instituição e que "está disposto a ultrapassar todas as linhas vermelhas na pré-campanha frenética que colocou em marcha".