A companhia de serviços petrolíferos SLB, uma das maiores do setor a nível global, comunicou neste sábado que não tomará parte em nenhuma atividade nas ilhas Malvinas, após o reforço das sanções ditadas pelo presidente argentino, Javier Milei, contra aqueles que intervirem em projetos de extração de petróleo no arquipélago "sem autorização" de Buenos Aires.
A multinacional, com sede nos Estados Unidos, anteriormente denominada Schlumberger e com presença em 100 países, tornou pública sua posição por meio de uma nota oficial na qual explica que sua decisão responde à nova normativa do Governo argentino, divulgada na última sexta-feira, que prevê punições para as empresas que desenvolvam atividades hidrocarburíferas nas ilhas Malvinas e suas águas adjacentes sem a habilitação das autoridades da Argentina.
Nesse marco regulatório, a SLB destacou que "não está participando nem tem previsto participar em processos de licitação que tenham por objeto a prestação de serviços para projetos hidrocarburíferos nas Malvinas, assim como nos espaços marítimos circundantes".
Da mesma forma, a empresa sublinhou que "SLB reafirma seu compromisso com o cumprimento das normas vigentes".
Junto à SLB, outras duas grandes firmas do setor decidiram adotar a mesma linha e não se integrar em iniciativas vinculadas ao arquipélago, segundo informou o ministro de Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno. Trata-se de Halliburton e Baker Hughes, consideradas pelo próprio ministro como a segunda e a terceira maiores companhias de serviços petrolíferos do mundo.
Milei antecipou nesta quinta-feira que rubricará um decreto para acelerar o endurecimento das sanções dirigidas contra aqueles que se envolverem em projetos de exploração de hidrocarbonetos nas ilhas Malvinas "sem autorização" de Buenos Aires. Em paralelo, anunciou o impulso à construção de uma base naval integrada na província de Terra do Fogo, no extremo sul do continente americano, assim como a melhoria das capacidades de telecomunicações da zona.
O mandatário também avançou que reforçará os sistemas de detecção precoce e os canais de intercâmbio de informação com o objetivo de facilitar a aplicação de sanções às empresas que desenvolvam este tipo de operações, além de a seus acionistas, diretores e fornecedores. A isso acrescentou que procederá a "inhabilitar de operar em território argentino as empresas envolvidas direta ou indiretamente em projetos nas ilhas Malvinas sem autorização argentina".
O pacote de medidas se inscreve na histórica reivindicação de soberania que sustenta a Argentina sobre as ilhas Malvinas e os espaços marítimos que as rodeiam, atualmente sob administração do Reino Unido.