A Fiscalia da Zâmbia decidiu finalmente apresentar acusações de traição contra o líder da oposição e ex-candidato presidencial Brian Mundubile, preso na última quinta-feira em plena crise política após as eleições de agosto, uma votação vencida pelo atual presidente, Hakainde Hichilema, cuja vitória foi duramente questionada por seus detratores.
O advogado de Mundubile, Milner Katolo, indicou à MUVI TV que seu defendido, junto com o ex-candidato à Vice-Presidência e companheiro de chapa, Makebi Zulu, e outras 16 pessoas foram acusados principalmente pela violenta operação policial realizada em uma residência do líder da oposição no dia 14 de agosto, um dia após as eleições, que terminou com a morte do ex-ministro Mutotwe Kafwaya.
Após aquela operação, Mundubile e Zulu conseguiram fugir e permaneceram durante a semana seguinte sob proteção em um centro das Nações Unidas, antes de serem finalmente colocados sob custódia da Polícia.
Para então, a Polícia já havia anunciado que durante a operação no local foram apreendidas várias armas de fogo e que vários dos presentes detidos haviam feito parte das forças de segurança zambianas, daí a acusação de que tanto Mundubile quanto seu Partido Nacional da Reconciliação pela Unidade e Prosperidade foram acusados de atentar contra a estabilidade do Estado.
Observadores regionais e internacionais descreveram o dia da eleição como majoritariamente pacífico, mas a Comissão de Direitos Humanos da Zâmbia exigiu que se prestem contas pelas pessoas cujo paradeiro é desconhecido após as detenções e as operações de segurança realizadas em torno das eleições.
A oposição não conseguiu contestar legalmente o resultado eleitoral, já que as autoridades fecharam os tribunais na segunda-feira, último dia para apresentar uma ação.
Hichilema tomará posse para um segundo mandato no dia 1 de setembro.