Alemanha volta às urnas em duas datas regionais com a AfD disparada e a CDU na corda bamba

Berlim e Meclemburgo-Pomerânia Ocidental elegem neste domingo seus parlamentos regionais apenas duas semanas depois que AfD arrasou com 43,8% em Saxônia-Anhalt e com a CDU do chanceler Friedrich Merz em um momento crítico

6 minutos

ILUSTRACIONES TEMAS (34)

ILUSTRACIONES TEMAS (34)

Adicione DEMOCRAT no Google

Pergunte à FREN

Publicado

6 minutos

Mais lido

Alemanha enfrenta neste domingo duas novas eleições regionais apenas duas semanas depois da reviravolta política provocada pela Alternativa para a Alemanha (AfD) em Saxônia-Anhalt. Berlim e Meclemburgo-Pomerânia Ocidental renovarão seus parlamentos em duas datas que medirã a evolução do apoio à AfD e o momento que atravessa a CDU do chanceler Friedrich Merz.

O precedente imediato explica boa parte da data. No passado 6 de setembro, a AfD obteve cerca de 44% dos votos em Saxônia-Anhalt, frente a 17% da CDU. O partido conseguiu 39 dos 83 assentos do Landtag e ficou a três da maioria absoluta, depois de mais que duplicar os quase 21% obtidos cinco anos antes.

O resultado representou uma dura queda para a CDU em um estado que governava desde 2002. Duas semanas depois, o foco se desloca para Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, que compartilha com Saxônia-Anhalt sua condição de território do leste alemão e uma forte implantação do partido de extrema direita. Berlim, por outro lado, apresenta um eleitorado muito mais urbano e uma competição mais fragmentada. Na capital alemã, se todas as previsões se cumprirem, a esquerda conquistará a vitória nas urnas.

Duass eleições regionais em um mesmo domingo

Ambas as eleições apresentam uma natureza semelhante às realizadas recentemente em Saxônia-Anhalt.

Meclemburgo-Pomerânia Ocidental elegerá seu Landtag, o Parlamento regional do estado federado. Berlim renovará o Abgeordnetenhaus ou Câmara de Representantes, que desempenha essa mesma função porque a capital alemã é simultaneamente uma cidade e um dos 16 estados federados do país. Além disso, os berlinenses elegerão as assembleias de seus doze distritos.

No entanto, a capital alemã apresenta uma particularidade. Seu chefe do Executivo recebe o título de prefeito governador porque concentra as funções próprias do prefeito da cidade e do presidente de um estado federado.

Não é eleito diretamente pelos cidadãos, mas pela Câmara de Representantes surgida das urnas.

AfD chega impulsionada pelo seu 44% em Saxônia-Anhalt

A data do domingo estará inevitavelmente condicionada pelo que aconteceu duas semanas antes.

A AfD passou em Saxônia-Anhalt de 20,8% em 2021 para 43,8% em 2026, enquanto a CDU sofreu o movimento contrário e caiu de 37,1% para 17,2%. O partido de Ulrich Siegmund ficou perto de controlar por si só o Landtag, embora não tenha alcançado a maioria absoluta.

A magnitude do resultado aumentou a pressão sobre Merz. As próximas eleições não decidem sua continuidade institucional como chanceler, mas chegam em um momento de enfraquecimento da CDU e deterioração da avaliação do Governo federal, portanto os resultados voltarão a ser lidos em chave nacional.

O próprio Merz rejeitou vincular seu futuro político às eleições regionais e afirmou que pretende completar seu mandato.

Mecklenburg-Vorpommern, a próxima oportunidade para AfD

O cenário mais parecido ao de Saxônia-Anhalt encontra-se em Mecklenburg-Vorpommern, um estado do nordeste alemão que fez parte da extinta República Democrática Alemã (RDA).

Lá governa desde 2017 a social-democrata Manuela Schwesig, que atualmente lidera uma coalizão entre o SPD e Die Linke, o partido à esquerda dos social-democratas.

As pesquisas refletem uma competição acirrada, embora com diferenças entre os levantamentos. A agência de notícias Reuters registrou esta semana uma estimativa que situava a AfD em 37% e o SPD em 35%, enquanto uma pesquisa posterior da Infratest dimap elevava o partido a 38% frente aos 33% dos social-democratas.

Para a CDU, o cenário é adverso. Pesquisas recentes situam o partido de Merz em apenas 7%, perto de uma barreira eleitoral de 5% que determina a entrada no Parlamento regional.

No entanto, a força eleitoral da AfD não implica que possa governar. As demais forças mantêm até agora sua rejeição a pactuar com o partido, portanto a aritmética parlamentar posterior às eleições será tão importante quanto determinar qual formação fica em primeira posição.

Schwesig frente à AfD

A figura de Schwesig introduz um importante componente pessoal na eleição. A dirigente social-democrata governa o estado há nove anos e mantém níveis de aprovação pessoal superiores aos de seu próprio partido.

AfD enfrenta a campanha com Enrico Schult como número um de sua lista regional e com Leif-Erik Holm, copresidente do partido no Land, como candidato a ministro-presidente.

A campanha regional incorporou questões nacionais como a imigração e a relação com a Rússia, mas também preocupações diretamente vinculadas ao território como o preço do combustível, a falta de profissionais de saúde e o estancamento econômico.

O estado tem além características distintas das grandes regiões industriais do oeste, entre elas menor densidade populacional, amplas áreas rurais e problemas demográficos que condicionam questões como o acesso a serviços públicos.

Berlim trava outra batalha: habitação e aluguéis

O marco berlinense circula por outros canais. Lá, a AfD também aspira a crescer, mas as pesquisas desenham uma competição muito mais fragmentada.

As pesquisas colocam a Die Linke em 22%, a CDU em 20% e a AfD em 18%, seguidas pelos Verdes, com 15%, e o SPD, com 12%.

A campanha berlinense está marcada principalmente pela habitação. Em uma cidade onde oito em cada dez habitantes vivem de aluguel, o aumento dos aluguéis e a dificuldade para encontrar habitação se situaram no centro da discussão política. Os aluguéis aumentaram com força durante os últimos anos em uma cidade que precisará de cerca de 211.000 habitações adicionais até 2040.

É precisamente neste terreno onde Elif Eralp, candidata da Die Linke, tem tentado concentrar sua campanha frente aos esforços da CDU de levar o debate para outras questões.

Eralp, filha de refugiados políticos turcos, lidera uma candidatura que chega às eleições disputando as primeiras posições nas pesquisas. Sua trajetória pessoal também ocupou espaço na campanha. Seus pais, socialistas e sindicalistas, fugiram da Turquia após o golpe militar e chegaram à Alemanha quando sua mãe estava grávida de oito meses. A candidata também vinculou sua atividade política à defesa dos direitos dos migrantes e ao ativismo contra a extrema direita.

A possibilidade de que Die Linke fique como a primeira força significaria uma mudança significativa na política da capital, embora o resultado das pesquisas não determine quem governará Berlim. A eleição do prefeito-governador dependerá posteriormente das maiorias que possam ser articuladas na Câmara dos Representantes. Eralp compartilha a competição pela chefia do Governo regional com Stefan Evers (CDU), Steffen Krach (SPD), Werner Graf (Os Verdes) e Kristin Brinker (AfD), entre outros candidatos.

As diferenças entre os partidos são especialmente visíveis em habitação. Die Linke propõe reforçar o controle dos aluguéis e da habitação social, enquanto a AfD vincula parte da pressão residencial à imigração. Outro dos debates se concentra em Tempelhofer Feld, o antigo aeroporto convertido em um enorme espaço público, onde CDU, FDP e AfD defendem permitir uma construção limitada enquanto SPD, Verdes e Die Linke se opõem.

A CDU também está em jogo o Governo de Berlim

A eleição tem ainda uma consequência direta para o poder regional da CDU. O partido governa atualmente Berlim em coalizão com o SPD, mas as sondagens mostram uma competição muito mais aberta do que nas eleições anteriores.

Entre os principais candidatos figuram Stefan Evers pela CDU, Steffen Krach pelo SPD, Elif Eralp pela Die Linke e Werner Graf pelos Verdes.

Uma vez conhecidos os resultados, começará previsivelmente uma negociação para construir uma maioria na Câmara.

A contagem começará às 18.00 horas deste domingo. Berlim conta com 2.542 colégios eleitorais e 1.572 mesas de voto por correio e as autoridades eleitorais prevêem anunciar o resultado provisório por volta das 1.30 horas da próxima segunda-feira.

Bonjour, je m'appelle Fren. Comment puis-je vous aider ?