Ampliação | A Aliança dos Estados do Sahel considera frustrada a rebelião no Níger enquanto a cúpula militar continua desaparecida

A AES dá por frustrada a rebelião no Níger, com uma dezena de detidos e Tchiani ainda ausente, enquanto cresce o papel do Africa Corps russo.

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A Aliança dos Estados do Sahel (AES) declarou como "frustrado" o motim iniciado na madrugada de sábado em Niamey, capital do Níger, qualificado pelas autoridades nigerinas como uma "tentativa de golpe de Estado", à espera de que o líder da junta militar, Abdourahmane Tchiani, reapareça em cena.

Apesar da confusão inicial, a vida cotidiana tem retomado seu curso de forma paulatina, com mais gente nas ruas à medida que avançava a manhã e o início da tarde deste domingo. Paralelamente, fontes de segurança indicaram à cadeia RFI que uma dezena de militares sublevados foram detidos, sem que por agora se disponha de dados sobre possíveis vítimas.

Níger faz parte, junto com Burkina Faso e Mali, da AES, um bloco de países africanos governados por juntas militares surgidas de golpes de Estado e que estreitaram laços com a Rússia nos últimos anos.

Em um comunicado divulgado no final da noite de sábado, a AES condenou de maneira tajante o levante de um grupo de soldados rebeldes na Base Aérea 101 e no bairro de Plateau, zona onde se concentram diversas instituições estatais e que se localiza nas imediações do Palácio Presidencial.

"Graças à coragem e profissionalismo das forças republicanas leais, esta última tentativa foi contida e frustrada", proclamou a CES em um comunicado conjunto no qual se declara "plenamente comprometida e mobilizada junto ao Níger, cuja determinação de continuar a luta pela soberania e pela paz compartilha".

A aliança, finalmente, chama a população dos três países a "permanecer particularmente vigilante contra as campanhas de desinformação, a manipulação da opinião pública e as tentativas de semear a divisão que possam acompanhar os esforços de desestabilização".

Quanto à origem do motim, fontes da RFI apontam que os militares implicados pertenceriam a unidades de forças especiais transferidas de forma inesperada para Niamey a partir de regiões como Tillabéri ou Dosso, cenários chave da luta contra o Estado Islâmico e a filial da Al Qaeda no Sahel, o Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM), e que poderiam estar descontentes com a evolução das operações.

O diretor do Instituto Tombuctu, Bakary Sambe, apontou à emissora francesa que o episódio reveste especial gravidade porque, "pela primeira vez desde o golpe de Estado de 2023, a ameaça não veio do exterior, nem de jihadistas, mas das próprias forças armadas", o que, em sua opinião, "evidencia a divisão do Exército nigerino", um cenário que teria levado o Governo a recorrer a mercenários russos do Africa Corps para assegurar o controle interno.

"O apoio russo já não é uma hipótese. Foi o próprio comando nigerino da Base 101 quem solicitou a presença do Africa Corps", assegurou o analista à RFI, "para recuperar as instalações".

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