Ampliação | A Justiça de Hong Kong declara culpados dois ativistas pró-democracia por incitar à subversão

Hong Kong declara culpados a dois ativistas da vigília de Tiananmen por incitar à subversão, enquanto os EUA, Alemanha e França exigem sua libertação.

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A Justiça de Hong Kong declarou nesta sexta-feira culpados dois destacados ativistas pró-democracia, antigos responsáveis pela organização da vigília anual em memória das vítimas da massacre de Tiananmen de 1989, por supostos atos de incitação à subversão cometidos entre 2020 e 2021.

Segundo informou a emissora hongkonesa RTHK, o tribunal concluiu que tanto Lee Cheuk Yan quanto Chow Hang Tung, junto com a organização que lideravam, são responsáveis pelas acusações apresentadas, apesar de ambos terem defendido em todo momento sua inocência.

Os magistrados sublinharam que os acusados haviam reclamado o fim da "ditadura de um único partido" e sustentaram que, por meio de suas ações, pretendiam questionar a legitimidade do Partido Comunista da China". Embora a sentença ainda não tenha sido tornada pública, a lei de segurança nacional prevê penas de até dez anos de prisão.

Durante décadas, a Aliança de Hong Kong em Apoio dos Movimentos Democráticos Patrióticos da China foi a encarregada de convocar a vigília com velas para lembrar as vítimas da violenta repressão das protestas de Tiananmen em Pequim, considerada a única cerimônia pública desse tipo em todo o território chinês.

A celebração dessa vigília foi interrompida após a entrada em vigor, em 2020, da lei de segurança nacional impulsionada em resposta às massivas protestas pró-democracia registradas em Hong Kong.

EEUU exige a libertação imediata dos ativistas

O Governo dos Estados Unidos rejeitou nesta sexta-feira a decisão do Tribunal de Hong Kong e exigiu a libertação "imediata" dos ativistas condenados.

"Suas vigílias pacíficas pela massacre da Praça de Tiananmén buscavam unicamente recordar o passado e honrar as vidas perdidas nesse ataque", considerou nas redes sociais, Riley Barnes, assistente na Subsecretaria de Estado para a Democracia e os Direitos Humanos.

Alemanha, França e ONG de direitos humanos criticam o veredicto

Em um comunicado conjunto, os governos da Alemanha e França expressaram seu pesar pela decisão judicial e valorizaram a trajetória de Chow, advogada especializada na defesa dos Direitos Humanos e ativista pró-democracia.

"Trabalhou incansavelmente para promover os Direitos Humanos e a democracia na China, em particular na região administrativa especial de Hong Kong. A defesa pacífica dos Direitos Humanos não constitui um crime", apontaram, reclamando ainda a "liberação imediata" de todos os implicados e o "respeito por todos os direitos e liberdades civis".

A organização Human Rights Watch (HRW) também censurou a decisão e apontou que a condenação evidencia "como as manifestações públicas em comemoração a essas vítimas se tornaram um crime em Hong Kong".

Elaine Pearson, diretora para a Ásia da ONG, lembrou que "durante décadas, dezenas de milhares de hongkoneses defenderam aqueles que perderam a vida manifestando-se pela liberdade na China". "Agora, os governos de todo o mundo devem defender os hongkoneses que estão sendo punidos por exigir responsabilidades a Pequim pela eliminação das liberdades de Hong Kong", manifestou.

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