Pelo menos 157 pessoas perderam a vida e mais de 500 continuam desaparecidas devido às intensas inundações originadas pela cheia do rio Bhotekoshi no distrito montanhoso de Rasuwa, no norte do Nepal, próximo à fronteira com a região chinesa do Tibete, segundo informaram nesta quarta-feira as autoridades nepalenses.
A Polícia do Nepal detalhou que os cadáveres recuperados pelas equipes de busca e resgate estão distribuídos em sete distritos, com uma concentração especialmente elevada, 64 deles, em Chitwan, situado mais ao sul. As enchentes cortaram as comunicações em amplas áreas do país e complicam seriamente as operações de salvamento.
Entre as áreas mais atingidas figuram mercados locais e postos de segurança. Além disso, são considerados desaparecidos 44 militares em Timure, no distrito de Rasuwa, próximo à fronteira com a China, além de 28 agentes da Polícia e 13 membros das forças de segurança.
A essas cifras somam-se 60 empregados de diversas centrais hidrelétricas localizadas nas áreas afetadas, assim como pessoal de Alfândega e Imigração que permanece em paradeiro desconhecido, de acordo com um levantamento prévio da Autoridade Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Desastres (NDRRMA).
No momento, 57 pessoas feridas estão recebendo atendimento médico em hospitais espalhados por todo o país, 21 delas em Rasuwa e as outras 36 em diferentes regiões, entre elas Catmandu, a capital. As autoridades indicaram que cerca de 250 pessoas foram resgatadas até agora.
Ao longo do curso do rio, dezenas de populações e infraestruturas sofreram danos severos pela força da água, que também causou importantes destruições em território chinês, do outro lado da fronteira, especialmente na passagem de Gyirong.
Diante da magnitude do desastre, foram deslocados numerosos efetivos apesar das enormes dificuldades de acesso às áreas mais castigadas. Para essas tarefas, conta-se com dezenas de helicópteros e agentes das forças de segurança, que permanecem na área à espera de continuar com as operações de busca e resgate, segundo relata o jornal "The Kathmandu Post".
As autoridades expressaram suas condolências aos familiares das vítimas fatais e dos feridos, e apontaram um deslizamento de terra como a causa principal do ocorrido, ao ter obstruído o leito de um rio no Tibete antes que o Bhotekoshi transbordasse. Por isso, pediram aos habitantes das áreas próximas ao rio Trishuli que se mantenham afastados da margem e se desloquem para lugares seguros.
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, afirmou ter o "coração pesado" diante da "enorme perda humana e material causada pela repentina cheia do rio Bhotekoshi em Rasuwa". "Isso chocou e entristeceu todo o país. Este desastre natural inesperado mergulhou muitos de nossos irmãos, irmãs e crianças em uma profunda dor", destacou em um comunicado.
"Em nome do Governo do Nepal e em meu próprio nome, quero oferecer minha mais sincera homenagem a todos os que faleceram. Expresso minhas mais sentidas condolências àqueles irmãos e irmãs que perderam a vida, às suas famílias e lamento a perda de tudo o que possuíam. Todo o Governo do Nepal e todo o país os acompanha nesta dor insuportável. Desejo uma rápida recuperação a todos os feridos", acrescentou.
O primeiro-ministro assegurou que foram ativados "todos os seus recursos e mecanismos para realizar milhares de operações de resgate", e precisou que várias reuniões de emergência do Gabinete foram realizadas, nas quais "foram tomadas decisões importantes para intensificar os trabalhos de resgate, busca e socorro".
"Vivemos momentos muito delicados. Nossa máxima prioridade é salvar a vida dos feridos, buscar os desaparecidos e garantir segurança às pessoas afetadas. (...) O Governo continuará trabalhando para resgatar os cidadãos e normalizar suas vidas. A busca por pessoas desaparecidas será intensificada e informações completas sobre os feridos serão coletadas", manifestou.
"Quero assegurar-lhes que vocês não estão sozinhos nesses momentos difíceis. O Estado está com vocês com todos os seus meios e recursos. Peço paciência. O Governo assume a plena responsabilidade pelo seu resgate, tratamento, alimentação e abrigo. Em tempos de tal desastre, todos devemos permanecer unidos", concluiu.
Centenas de turistas continuam sem localização
A Junta de Turismo do Nepal indicou a meios locais que cerca de 400 turistas, na sua maioria peregrinos que se dirigiam ao monte Kailash, no Tibete, permanecem em paradeiro desconhecido devido à falta de comunicações enquanto continuam as inundações.
As autoridades calcularam em 384 os turistas com os quais se perdeu o contato, dos quais pelo menos 93 são nepaleses e 291 estrangeiros. Os primeiros dados apontam que 105 seriam cidadãos indianos, 17 malaios, 12 britânicos, quatro sul-africanos, três americanos, um australiano e outro neerlandês, enquanto o resto das nacionalidades não foi detalhado.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Espanha assinalou que, à tarde desta quarta-feira, não tem conhecimento de que haja "espanhois afetados ou ilocalizáveis".
Em qualquer caso, as autoridades nepalesas pediram aos visitantes que mantenham a calma, se informem adequadamente e sigam em todo momento as instruções oficiais de segurança emitidas pelos organismos competentes.
A Federação Internacional da Cruz Vermelha (FICV) anunciou a mobilização de algo mais de um milhão de euros para apoiar a Cruz Vermelha nepalesa a "levar assistência" às comunidades afetadas, especialmente àquelas que ficaram isoladas, conforme explicou o chefe da delegação da FICV no país, David Fisher.