Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira que decidiu rebaixar o nível de suas relações diplomáticas com o governo britânico, como represália pelas sanções impostas contra um acampamento infantil localizado em Songdowon, na cidade de Wonsan. Londres acusa este centro de estar implicado no adoctrinamento de menores ucranianos que teriam sido trasladados à força no contexto da invasão da Ucrânia.
Em um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores norcoreano e citado pela agência estatal KCNA, Pyongyang qualificou esta medida como uma "resposta diplomática" a uma decisão "provocativa" motivada por "questões políticas".
As autoridades norcoreanas lembraram que, há algumas semanas, o embaixador Mun Myong Sin foi retirado precisamente por este desentendimento, de modo que a representação norcoreana em Londres agora fica reduzida a um encarregado de negócios. No texto, o governo acusa o Reino Unido de "querer manchar a imagem" da Coreia do Norte e de tentar "minar suas relações com Moscou".
No início de maio, o Executivo britânico incorporou várias figuras e entidades russas ao seu mais recente pacote de sanções, no qual também incluiu o Acampamento Internacional Infantil Songdowon, em território norcoreano. Londres suspeita que estas instalações estão vinculadas a deportações forçadas de crianças ucranianas e ao seu posterior adoctrinamento.
O acampamento foi criado em 1960 e, desde então, tem sido empregado de forma contínua como ferramenta de propaganda e para reforçar a lealdade ao regime entre os jovens. O governo da Ucrânia tem advertido reiteradamente sobre esta função e denunciado o "sequestro e traslado" de menores para essas instalações desde o início da guerra.
Em março de 2023, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu uma ordem de detenção contra o presidente russo, Vladimir Putin, por um suposto crime de guerra relacionado com a deportação forçada de crianças ucranianas de territórios ocupados durante o conflito.
O tribunal considera que existem "motivos razoáveis" para sustentar que Putin "tem responsabilidade penal individual" por esses fatos, seja por sua participação "direta" ou por não ter "exercido um controle adequado sobre os subordinados civis e militares que cometeram os atos".
O Kremlin, por sua vez, rejeitou de forma sistemática as acusações de deportações forçadas de menores, que atribui a uma campanha de desinformação impulsionada por Kiev e seus aliados. No entanto, o Governo ucraniano sustenta que pelo menos 16.000 crianças foram transferidas contra sua vontade para o território russo desde que começou a invasão.