O ministro da Unificação da Coreia do Sul, Chung Dong Young, alertou nesta quinta-feira que as capacidades nucleares da Coreia do Norte se multiplicaram por 100.000 nos últimos 30 anos, pelo que sublinhou que continuar apostando na desnuclearização total do país "já não é sustentável".
Chung explicou que Pyongyang continuou ampliando e aperfeiçoando seu arsenal atômico com o objetivo de alcançar um status "irreversível", enquanto deixava de lado as conversações multilaterais sobre a questão. "A dura verdade é que a ideia de impulsionar a desnuclearização completa, como se fazia no passado, deixou de ser sustentável", apontou durante um fórum, de acordo com a agência de notícias Yonhap.
O ministro precisou que a capacidade nuclear norte-coreana se multiplicou por 100.000 desde 1992, ano em que o regime comunicou ao Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA) que dispunha de 90 gramas de plutônio. Em contraste, estimativas recentes do Governo dos Estados Unidos calculam que a Coreia do Norte poderia contar atualmente com 57 armas nucleares, tendo em conta que para fabricar uma bomba seriam necessários entre 4 e 8 quilos de plutônio.
Nesta linha, insistiu que as atividades relacionadas com seu programa nuclear continuam "mesmo neste momento" e avaliou que a mudança na abordagem do presidente americano, Donald Trump, representa uma "grande transformação" que poderia "abrir uma janela de oportunidades".
Além disso, valorizou os esforços do Executivo sul-coreano por "desempenhar um papel ativo para alcançar a paz e favorecer o diálogo entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte". Chung insistiu ainda que Seul deve fazer "tudo o que for possível" para sustentar essas conversas e ampliá-las, de forma que se incorpore também a China e se possa estabelecer "um regime de paz na península da Coreia partindo do instável sistema de armistício".