O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, apresentou neste domingo um plano extraordinário de recuperação ambiental, produtiva, rural e de segurança para o departamento do Tolima, no oeste do país, após os incêndios que, segundo denunciou, foram "em grande parte (...) deliberadamente provocados", e que devastaram "mais de 50.000 hectares".
"Enquanto a Colômbia começa a se levantar do terremoto, uma nova emergência atinge nossa terra. O Tolima está ardendo e quero dizer algo especialmente grave: esta noite temos indícios, informações e estudos que mostram que grande parte desses incêndios foram provocados deliberadamente por mãos criminosas", destacou o chefe de Estado em uma coletiva de imprensa.
Ao detalhar o impacto da catástrofe, De la Espriella insistiu que são "mais de 50.000" as hectares devastadas no departamento, das quais 28.000 correspondem a solos agropecuários. Ele estimou as perdas econômicas em cerca de 36,5 milhões de euros, com 2.660 produtores afetados, 163.000 animais em perigo, danos em 23 municípios e impacto em 507 veredas do território tolimense.
Segundo a atualização mais recente da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), foram atendidos até agora 17 focos de incêndios florestais na área. Doze deles já foram controlados, enquanto outros cinco continuam "pendentes de atenção".
No que diz respeito ao plano de resposta, o presidente adiantou que serão implementados 343 subsídios de 17.700 euros cada um para a reconstrução de moradias rurais danificadas pelo fogo. Além disso, serão distribuídas 5.000 toneladas de feno e 5.000 toneladas de casca de arroz --resíduo agrícola formado pelas folhas, caules e raízes que ficam após a colheita do grão-- com o objetivo de garantir a alimentação do gado, junto com outras ações complementares.
Além disso, ele explicou que será reforçada a atenção sanitária e a vigilância das doenças respiratórias vinculadas à fumaça e à poluição gerada pelos incêndios, com foco especial na proteção de crianças, idosos e grupos vulneráveis.
"Não vamos abandonar o Tolima quando se apagar a última chama. Vamos permanecer até recuperar seu campo e sua capacidade produtiva. O Tolima tem presidente com 'El Tigre'", concluiu o dirigente ultradireitista, referindo-se a si mesmo com o apelido que assumiu após declarações do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) anteriores à sua candidatura presidencial.