Edmundo González alerta que a renda petrolífera venezuelana só beneficiará "a alguns"

Edmundo González teme que o novo acordo petrolífero com os EUA só enriqueça "a alguns" e não alivie a crise que atinge a maioria dos venezuelanos.

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O ex-candidato presidencial opositor venezuelano Edmundo González alertou neste domingo que as receitas anunciadas pela presidenta interina, Delcy Rodríguez, vinculadas ao recente acordo de investimento com os Estados Unidos, correm o risco de acabar nas mãos de "alguns" em vez de se traduzirem em melhorias para o conjunto da cidadania.

"Venezuela já teve muito dinheiro antes. O suficiente para saber que uma coisa é os recursos entrarem no país e outra muito distinta é chegarem à vida das pessoas (...). E há uma pergunta que não posso deixar de me fazer. Desta vez o petróleo vai melhorar a vida de todos os venezuelanos? Ou só a de alguns?", questionou González em uma mensagem divulgada nas redes sociais.

O dirigente opositor apoiou "recuperar a indústria petrolífera (...), mas recuperar a Venezuela é recuperar a vida de seu povo" e sublinhou que essa recuperação deve se traduzir em avanços palpáveis em habitação, educação e saúde para a população.

"A recuperação da Venezuela não pode ser medida somente pelos barris que voltar a produzir, mas pelas vidas que essa riqueza permitir reconstruir", argumentou, insistindo que o impacto real deve ser apreciado no dia a dia dos venezuelanos.

Em sua primeira reação ao acordo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo qual Washington passará a controlar um quinto das reservas petrolíferas venezuelanas, González colocou em dúvida os "números enormes" de "milhões de barris" que ambas as partes manejam, assim como os "investimentos que custam até mesmo imaginar".

O opositor lembrou que a sociedade venezuelana enfrenta necessidades urgentes, como a reconstrução de moradias danificadas pelo terremoto, as carências do sistema de saúde, os problemas de fornecimento de água e eletricidade, o deterioro educacional ou "quem trabalha e, mesmo assim, não consegue viver de seu salário".

Também mencionou a corrupção, a falta de manutenção de infraestruturas e a ausência de oportunidades para os jovens, além de "a fome e a crise humanitária complexa, que continua e se aprofunda", como exemplos da gravidade da situação que, em sua opinião, o novo fluxo de recursos deveria priorizar.

O veterano diplomata venezuelano, atualmente exilado na Espanha, foi candidato presidencial nas eleições de 2024, umas eleições que a oposição considera fraudulentas por ter proclamado vencedor a Nicolás Maduro, que foi preso por militares americanos em uma incursão em Caracas em janeiro. Sua substituta, Delcy Rodríguez, iniciou uma aproximação política e econômica com Washington.

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