As autoridades do Irã enfatizaram que o "plano em fases" acordado com Omã para organizar o trânsito no estreito de Ormuz não se traduz na "abertura imediata" deste enclave estratégico, uma vez que, ressaltaram, qualquer reabertura dependerá do cumprimento das condições estabelecidas por Teerã.
"Este acordo não implica a abertura imediata do estreito de Ormuz a partir de amanhã", explicou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Qaribabadi, segundo declarações coletadas pela cadeia estatal iraniana IRIB nas quais ele ressaltou que a reabertura está subordinada "ao cumprimento das condições definitivas impostas pelo Irã". Caso contrário, advertiu, esta via navegável "permanecerá fechada".
Após apontar que "antes das recentes guerras, não havia problemas no estreito de Ormuz" e que Teerã "não prestava atenção especial" às questões relacionadas com o corredor que liga os golfos Pérsico e de Omã, o alto funcionário reivindicou o estreito como "uma questão de segurança nacional" para a República Islâmica, que obriga a introduzir modificações nas rotas de entrada e saída.
Neste sentido, Qaribabadi detalhou que o acesso ao golfo Pérsico será feito por águas iranianas e a saída por águas territoriais de Omã. Mesmo assim, indicou, "em ambas, os navios atravessarão águas iranianas" dentro de uma espécie de "autoestrada de ida e volta com uma largura total de cerca de sete milhas (cerca de onze quilômetros)".
Segundo precisou o vice-ministro, este traçado terá um caráter "temporário", uma vez que Irã e Omã deverão fechar em um prazo de 30 a 60 dias um novo esquema que seja "permanente".
Além disso, assegurou que "a rota sul do estreito de Ormuz será fechada", em referência ao corredor meridional sob controle dos Estados Unidos, ao qual, de acordo com dois funcionários americanos citados pelo portal Axios, se associa o transporte de 10 milhões de barris de petróleo por dia. "Isso é um acordo. Omã aceita que esta rota seja fechada, e o assunto será comunicado à Comunidade Internacional", afirmou Qaribabadi.
Em paralelo, após avisar que, se forem retomados contatos com os Estados Unidos, essas conversas "não serão como antes" porque "as circunstâncias mudaram", o 'número dois' da diplomacia iraniana sublinhou que as exigências de Teerã para reabrir Ormuz contemplam "a suspensão total do bloqueio econômico, o fim definitivo da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a determinação do estado do bloqueio sobre o Iémen".
Na mesma terça-feira, os governos de Omã e Irã concordaram em estabelecer um "plano por fases" para o controle do tráfego marítimo no estreito, embora as negociações para restabelecer plenamente a navegação ainda não tenham dado frutos.
"A estrutura proposta inclui a criação de um corredor marítimo conjunto temporário através do estreito de Ormuz e um acordo para iniciar um projeto conjunto de desminagem do estreito", explicaram ambas as partes após uma reunião em Teerã entre os ministros das Relações Exteriores de Omã e Irã, Badr al Busaidi e Abbas Araqchi, respectivamente.