Um tribunal israelense impôs nesta quarta-feira uma pena de mais de 24 anos e meio de prisão a um cidadão identificado como Shahadeh Abu al Qiaan, israelense de origem árabe e vizinho de uma aldeia no sul do país, por ter se alistado no Exército com a finalidade de espionar em favor de uma das milícias palestinas implicadas nos ataques de 7 de outubro de 2023.
A sentença foi proferida pelo Tribunal de Distrito de Beersheba, que já em dezembro o havia declarado culpado de roubo agravado, vários delitos vinculados ao uso de armas de fogo, pertencimento a uma organização terrorista e colaboração com o inimigo em tempo de guerra.
Al Qiaan aceitou então as acusações dentro de um acordo com a Promotoria israelense, que sustenta que este acusado "decidiu agir contra o Estado" depois que a seu pai foi notificada em meados de 2019 uma ordem de demolição de sua residência em Atir, uma pequena localidade árabe beduína situada no deserto do Negev.
Agentes do Shin Bet prenderam Al Qiaan em maio de 2022, apenas oito dias depois de ele ter ingressado nas Forças de Defesa de Israel (FDI), onde, segundo a acusação, pretendia "coletar informações dentro do Exército sobre soldados beduínos, bases e locais militares".
O escrito de acusação, coletado por "The Times of Israel", detalha ainda que Al Qiaan havia se integrado um ano antes nas Brigadas Muyahidines e que lhes transmitia "informações e imagens de bases das FDI, estações de trem, empresas estatais e centros comerciais".
Segundo o mesmo meio, o expediente de Al Qiaan foi remetido ao ministro do Interior, Yariv Levin, para que estude a possibilidade de retirar-lhe a cidadania israelense.