O aspirante presidencial do Partido Missão no Brasil, o ultradireitista Renan Santos, que ficou como o quarto candidato mais votado no primeiro turno, reiterou nesta quinta-feira que não apoiará nenhum dos dois contendores que passam para o segundo turno: o ultraconservador Flávio Bolsonaro, que obteve 47,03% dos votos, e o esquerdista e atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que somou 45,16%.
"Não vou votar. Da última vez, incentivei as pessoas a emitir um voto nulo. Desta vez, simplesmente digo: votem por quem quiserem", destacou Santos em uma entrevista concedida à rede brasileira UOL. O candidato do Partido Missão, que no primeiro turno recebeu 2.675.887 votos (2,24% do total), é o único dos três aspirantes derrotados que superaram 2% de apoio que não expressou seu apoio a Bolsonaro nem, na verdade, a nenhum dos dois aspirantes que continuam na disputa.
Ainda assim, ele admitiu que, sob a ótica da "acumulação de poder" e dos eventuais riscos para as instituições, "o perigo é maior com Flávio", algo que, sublinhou, "é o argumento mais sólido que tem o lado do PT", o Partido dos Trabalhadores do atual ocupante do Palácio do Planalto. "Se Lula ganhar as eleições, simplesmente não tem o poder necessário para aprovar uma PEC (proposta de emenda constitucional) nem para levar adiante nada significativo", acrescentou.
Santos justificou sua decisão, diferente da adotada pelos demais candidatos eliminados no primeiro turno, apelando à responsabilidade que implica liderar uma formação e consolidar o desenvolvimento de um "lado" político próprio e diferenciado. "Não quero dar a entender às pessoas que nos seguem, que demonstraram um grande compromisso com a construção de algo novo, que estou me vinculando a outro projeto, embora na verdade não seja assim", concluiu.