Lula avisa aos EUA de que responderá com reciprocidade comercial se o considerar necessário

Lula ameaça com aplicar reciprocidade comercial aos EUA em plena campanha eleitoral, enquanto presume de diversificação econômica e critica a ingerência externa.

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O presidente do Brasil e aspirante à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, avisou que seu Executivo está disposto a aplicar a lei de reciprocidade comercial em relação aos Estados Unidos se as conversas atualmente abertas não chegarem a bom porto. O chefe de Estado sublinhou que é Washington quem "deveria estar preocupado" com o futuro da relação bilateral, ao ressaltar que o país sul-americano dispõe de recursos que os americanos precisam "mais do que as coisas que eu preciso deles".

Apesar dos choques comerciais dos últimos meses e da clara inclinação do Governo americano em relação ao seu adversário nas urnas, Flávio Bolsonaro, Lula defendeu em uma entrevista na rede Globo que seu vínculo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi "a mais civilizada" que o líder republicano manteve com outro mandatário.

O dirigente brasileiro explicou que, após um início marcado pela tensão, apelou ao "juízo" de ambas as partes para contornar conflitos entre "as duas maiores democracias do Ocidente". Essa mudança de tom, relatou, se concretizou em várias reuniões e em extensas conversas telefônicas, incluindo uma última chamada de "quase uma hora e meia" na qual criticou a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

No plano econômico, Lula minimizou a relevância da queda de 9% no intercâmbio comercial com os Estados Unidos, que contrapôs aos resultados de sua política de abertura para outros mercados. Assim, ressaltou que as vendas ao exterior do Brasil aumentaram 20% com a China, 16% com a Alemanha e 15% com a Indonésia, marcando máximos históricos de superávit. "Não quero fazer a lei da reciprocidade, quero continuar negociando. Mas se for necessário fazê-lo, faremos e acho que terão um problema conosco", destacou.

Ao mesmo tempo, o presidente reiterou sua firme oposição à decisão de Washington de incluir as principais facções criminosas brasileiras — como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho — na lista de organizações terroristas. Lula sustentou que os Estados Unidos "não entendem" a natureza desses grupos, ao confundir o crime organizado voltado para o lucro econômico com o "terrorismo de Estado".

Como alternativa ao que Brasília percebe como uma possível via de ingerência externa, o mandatário confirmou que seu Governo já enviou por escrito a Trump uma proposta de cooperação bilateral contra o narcotráfico, baseada na experiência acumulada pela Polícia Federal brasileira.

Essas manifestações do líder brasileiro ocorrem em plena campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, previsto para o próximo 25 de outubro, no qual Lula enfrentará o candidato do Partido Liberal (PL) —e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro—, Flávio Bolsonaro.

No primeiro turno das eleições, Bolsonaro se impôs com 47% dos votos, dois pontos acima de Lula, que partia como favorito. De cara ao segundo turno, Bolsonaro lidera as pesquisas com uma vantagem de apenas dois pontos, uma diferença que, à luz da margem de erro das pesquisas, coloca ambos os aspirantes em um empate técnico.