Pelo menos 55 pessoas morreram e outras 403 permanecem desaparecidas após a violenta enchente que devastou várias localidades do norte do Nepal, junto à fronteira com o Tibete. Entre as pessoas não localizadas estão 341 estrangeiros, incluindo dois cidadãos espanhóis, segundo o último balanço divulgado pelas autoridades nepalenses.
A cheia atingiu durante a manhã desta quarta-feira o distrito montanhoso de Rasuwa. A água, a lama e as rochas varreram vilarejos, mercados, estradas, pontes e instalações hidrelétricas situadas junto ao rio Bhote Koshi, uma das principais vias fluviais que atravessam a fronteira entre o Nepal e a China.
O balanço continua sendo provisório. Numerosas áreas permanecem incomunicadas e as equipes de emergência ainda não conseguiram determinar o número exato de pessoas presas ou arrastadas pela água.
Dois espanhóis entre os desaparecidos
A Junta de Turismo do Nepal contabilizou 403 pessoas desaparecidas, das quais 341 são estrangeiras. Entre elas estão dois cidadãos espanhóis, embora até o momento não tenham sido fornecidas suas identidades nem as circunstâncias em que o contato com eles foi perdido. Uma parte importante dos estrangeiros estava se deslocando para o Tibete para participar da peregrinação ao monte Kailash e ao lago Mansarovar. Esta rota atrai a cada ano milhares de fiéis hindus, budistas e jainistas.
As primeiras listas também incluem cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Malásia, Coreia do Sul, África do Sul, Austrália e Países Baixos. As autoridades trabalham com as agências de viagens para verificar quantas pessoas estavam realmente na área afetada e se algumas conseguiram se salvar sem ainda ter comunicado sua situação.
A enchente arrasa vilarejos, pontes e centrais hidrelétricas
A massa de água alcançou por volta das 9h15 — às 3h30 na Espanha peninsular — o leito do Bhote Koshi e atingiu especialmente as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi. Os vídeos divulgados da área mostram edifícios desmoronados, veículos arrastados e grandes extensões cobertas por lama e entulho.
A enchente também interrompeu uma das principais conexões terrestres entre o Nepal e o Tibete. Do lado chinês, um deslizamento atingiu o porto fronteiriço de Gyirong e cortou estradas, comunicações e fornecimento de eletricidade.
As autoridades chinesas desplegaram mais de 570 resgatistas na passagem de fronteira. A profundidade dos sedimentos e os danos sofridos pelos acessos obrigam a percorrer a pé parte do trajeto até os pontos mais afetados.
O sistema elétrico nepalês também sofreu danos importantes. Várias centrais hidrelétricas ficaram paralisadas e cerca de 430 megawatts de capacidade de geração foram afetados, segundo o Ministério de Energia do Nepal.
Helicópteros e equipes terrestres buscam sobreviventes
O Exército nepalês mobilizou seis helicópteros militares e outros oito aparelhos de companhias privadas. Pelo menos 29 pessoas haviam sido resgatadas durante as primeiras horas da operação.
Os trabalhos avançam com dificuldades. O nível dos rios, a instabilidade do terreno e a destruição de estradas impedem o acesso a algumas localidades, enquanto os helicópteros não podem aterrissar em determinadas áreas.
O Governo ordenou evacuar a população situada nas áreas mais baixas e pediu aos residentes que se afastem das margens dos rios Bhote Koshi, Trishuli e Narayani. A Índia e a China ofereceram assistência e mantêm contatos com o Nepal para coordenar as operações de busca.
Um terremoto e um deslizamento, possível origem da catástrofe
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shishir Khanal, atribuiu inicialmente a inundação a um terremoto registrado pouco antes da cheia. O sismo teria provocado um grande deslizamento de gelo e rochas que bloqueou temporariamente o rio e liberou posteriormente uma enorme massa de água.
O Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas também aponta para uma avalanche de gelo e rocha no rio Lhende Khola, afluente do Bhote Koshi. No entanto, a origem exata da catástrofe ainda não foi confirmada.
Os especialistas alertaram que permanece um bloqueio rio acima e não descartam uma segunda cheia. As autoridades mantêm ativados os alertas no Nepal e em vários territórios do norte da Índia pela possibilidade de que a cheia avance para áreas situadas rio abaixo.
O presidente chinês, Xi Jinping, ordenou intensificar as buscas, evacuar as pessoas expostas e reforçar a vigilância diante de possíveis deslizamentos ou inundações posteriores.