Vucic acusa o tribunal de Haia de buscar a morte na prisão de Mladic

Vucic ataca o TPIY, ao qual acusa de querer que Mladic morresse na prisão e denuncia que o Ocidente tenta apontar apenas para a Sérvia pelas guerras iugoslavas.

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O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, atacou nesta sexta-feira o Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia (TPIJ), ao qual responsabiliza por ter desejado que o general serbo-bosníaco Ratko Mladic, condenado por genocídio por sua implicação no massacre de Srebrenica, "morresse entre as grades". Segundo lembrou, Belgrado enviou repetidas vezes solicitações para que o ex-militar pudesse cumprir o restante da pena na Sérvia devido à sua frágil saúde, pedidos que foram rejeitados.

"Agora vimos que Haia queria que Mladic morresse entre as grades; não queriam que o general morresse na Sérvia, onde ele queria", afirmou Vucic durante uma visita a uma feira agrícola na localidade de Osecina. Nesse contexto, ele fez duras críticas ao tribunal com sede nos Países Baixos, ao qual acusou de um comportamento "incivilizado, sem precedentes e sem justificativa".

Durante suas declarações, o chefe do Estado sérvio evitou se posicionar sobre a proposta de seu ministro da Justiça, Nenad Vujic, que na quinta-feira sugeriu a possibilidade de conceder honras de Estado no enterro de Mladic. Vucic sublinhou que o Executivo continua aguardando que o TPIJ envie os dados necessários para organizar a repatriação dos restos mortais.

"Por enquanto não posso dizer nada mais porque não recebemos nenhuma informação de Haia", destacou o mandatário, que insistiu que a decisão final cabe aos familiares do ex-general. "Se eles querem que Mladic seja enterrado em território sérvio, a Sérvia ajudará a que isso seja feito de maneira digna e apropriada", assegurou.

Na mesma aparição, Vucic reiterou sua denúncia de que "o Ocidente quer transformar a Sérvia no único culpado" dos quatro conflitos nos quais esteve implicada durante as guerras de desintegração da Jugoslávia: Eslovênia, Croácia, Bósnia — onde ocorreu o massacre de Srebrenica — e Kosovo.

"O sangue sérvio nem sequer importa", concluiu o presidente em manifestações divulgadas pela radiodifusão pública RTS, nas quais insistiu que, em sua opinião, a comunidade internacional aplica um duplo padrão na hora de avaliar as vítimas dos diferentes lados.

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