O Congresso derruba o decreto do Governo sobre lobbies com o apoio do PP, Vox e Junts

O Congresso revoga o decreto de lobbies do Governo após um duro choque pela inclusão de sindicatos e patronal como grupos de interesse.

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O Pleno do Congresso rejeitou esta quarta-feira, graças aos votos do PP, Vox, Junts e UPN, o decreto-lei impulsionado pelo Governo para ordenar a atividade dos 'lobbies'. A norma, que havia gerado mal-estar no sócio minoritário do Executivo e em vários de seus aliados, era questionada sobretudo por incluir entre os grupos de interesse sindicatos e organizações empresariais.

A convalidação do decreto contou apenas com o apoio do PSOE, Sumar, ERC e Bildu, insuficiente frente aos 179 votos contra do PP, Vox, Junts e UPN e a abstenção do PNV e Podemos. Sumar tinha previsto opor-se, mas retificou no último momento e se alinhou com o PSOE, apesar de que sua porta-voz adjunta, Aina Vidal, já havia emitido telematicamente seu voto contra.

Tratava-se da segunda tentativa do Executivo para fixar um marco legal para os grupos de interesse: em janeiro de 2025 já remeteu ao Congresso um projeto de lei cuja tramitação ficou bloqueada por falta de consenso. O decreto-lei estava vigente desde o final de agosto, mas ao não ser referendado pela Câmara fica automaticamente revogado.

Durante o debate, boa parte dos grupos reprocharam ao PSOE que optasse pelo decreto-lei em vez de buscar um acordo amplo no Parlamento, amparando-se na urgência de cumprir os prazos exigidos para acessar 1.500 milhões de fundos europeus.

O principal foco de rejeição tem sido a equiparação de organizações empresariais e sindicatos com outros grupos de influência. Ao defender o texto, o ministro de Transição Digital, Óscar López, adiantou que, se fosse convalidado, antes de novembro o Governo registraria uma emenda a outra lei em tramitação para precisar que os atores do diálogo social ficariam fora dessa regulação.

Choque pela inclusão de sindicatos e patronal

O ministro sublinhou que o decreto-lei incorporava 90% das contribuições dos grupos, incluindo as do PP e Junts, e atacou de forma especial os 'populares' e Vox: "Quando na Europa perguntarem por que na Espanha não há uma lei de 'lobbies' terá que responder que foi porque a direita e a ultradireita impediram", afirmou.

A seu entender, à cidadania lhe será difícil compreender "que a oposição não quer aprovar um projeto pelo qual o Governo eleva os controles sobre o Governo" e que, além disso, está "pactado com Bruxelas" e com o setor lobista.

Os porta-vozes de quase todos os grupos, exceto Vox, concordaram em exigir mais transparência nas relações dos 'lobbies' com o poder político, mas julgaram que a proposta chega "tarde" e é insuficiente.

Para o deputado de Bildu Óskar Matute, o decreto não esclarece "quem influencia, em quem, com quais recursos e com quais consequências". Néstor Rego, do BNG, descreveu-o como a "legalização do lobismo" e lamentou que não aborde as 'portas giratórias', enquanto Àgueda Micó (Compromís) denunciou que o plano contra a corrupção do Governo continua "pela metade" ao não prever ainda sanções para os corruptores.

Boa parte das críticas se concentrou na inclusão dos sindicatos, um "absurdo colossal" para o BNG e um "disparate" e um "erro gravíssimo" para Carlos Martín, de Sumar. Oskar Matute (Bildu) censurou a "incongruência" de equiparar as centrais sindicais com a patronal. "Não acredito que a Repsol seja igual ao movimento de pensionistas", apontou, denunciando que se tenta "dificultar a ação de coletivos sociais".

"Uma coisa é o diálogo social em um sentido abstrato e genérico e outra a relação de influência direta que um sindicato pode ter sobre uma decisão governamental ou legislativa, não gostamos dessa ambiguidade", alertou o deputado de ERC, Francesc Marc Álvaro Vidal, questionando que se excluam como 'lobbies' os conselhos profissionais enquanto se incluem os sindicatos.

Desde Junts, Josep Pagès criticou que se pretenda obrigar pmes e associações a passar "pelo mesmo aro" que as grandes empresas e consultorias. Em sua opinião, a norma está "sob medida" para os lobistas profissionais e acaba desincentivando o contato de pequenas empresas e entidades sociais com a administração.

Reproches ao uso do decreto lei

A deputada do PP Edurne Uriarte se mostrou favorável a regular a atividade dos grupos de interesse, mas não por meio de um decreto lei "repentino" que, segundo disse, "elimina o papel constitucional dos sindicatos e organizações empresariais". Além disso, questionou a autoridade de López para falar de qualidade democrática e pediu que reative o projeto de lei ordinária.

O representante do PNV, Mikel Legarda, centrou suas críticas no recurso ao decreto-lei apesar de já existir uma lei em tramitação e acusou o Executivo de ir muito mais longe do que em sua proposta inicial. Por isso, instou o ministro a apresentar um novo decreto de mínimos, alinhado com os padrões europeus e realmente pactuado com os grupos, se quiser garantir sua convalidação.

Emilio del Valle, do Vox, evitou entrar no fundo do texto e se limitou a acusar o Governo de desprezar o Parlamento. "Convalidar nessas condições normaliza o decreto-lei como atalho frente a um Congresso que não dá os votos", denunciou, reprochando ao Executivo que pretenda "substituir a negociação de emendas por um procedimento em que só cabe dizer sim ou não".

Por último, o socialista José Luis Aceves acusou os partidos que derrubaram o decreto de querer que seus contatos com os lobbies "continuem se produzindo na escuridão" e criticou o PP por votar contra propostas suas que o Governo havia incorporado ao texto.

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