O presidente da Generalitat, Salvador Illa, sustenta que a Catalunha conta atualmente com os meios necessários, e que poderia dispor de mais se prosperar a reforma do modelo de financiamento autonômico, para "poder abordar de forma progressiva uma melhoria substancial e um replanejamento do âmbito educativo", que considera chave para o futuro do país e no qual assegura que o Govern já está trabalhando.
Em uma entrevista publicada neste domingo no 'El Periódico de Catalunya' e recolhida pela Europa Press, destacou que o sistema educativo precisa de um reforço de recursos e uma "reflexão a fundo" que se compromete a enfrentar com uma visão de médio e longo prazo, incorporando as contribuições da comunidade educativa e mantendo ao mesmo tempo uma perspectiva realista.
Como exemplo, levantou a necessidade de revisar o modelo de escola inclusiva. Considera que o esquema atual funciona, mas que requer ajustes, e defende que continuem existindo centros de educação especial: "Me pedem muitas vezes as próprias famílias. Temos que ser capazes, entre todos, de fixar os limites e os recursos para chegar a um acordo".
Em relação à convocação de greve no início do ano letivo e às exigências dos sindicatos, reiterou seu apoio à consellera de Educação e FP, Esther Niubó, e assinalou que o departamento atenderá aquelas propostas que sejam construtivas e razoáveis. Ao mesmo tempo, reclamou que sejam respeitados "todos os direitos: de greve, de educação e de mobilidade".
Sobre o erro detectado nos testes Pisa, adiantou que Niubó tornará públicos nos próximos dias tanto as conclusões da investigação interna do Govern quanto as decisões que dela derivarem: "Foi um erro que não pode se repetir e a obrigação do Govern é tomar as medidas para que não volte a ocorrer e depurar responsabilidades se as houver".
Modelo de financiamento e relação com Puigdemont
Quanto ao novo modelo de financiamento autonômico, Illa reclamou que na próxima sexta-feira, no Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF), se celebre um debate sossegado: "É a hora da verdade para todos", afirmou, mostrando-se disposto a analisar e tentar consensuar as distintas propostas que se apresentem.
Recordou que, para que a reforma avance no Congresso dos Deputados, será imprescindível o apoio de Junts. Questionado se aceitaria se reunir com o ex-presidente da Generalitat e líder da formação, Carles Puigdemont, caso lhe solicitassem, respondeu afirmativamente: "Eu me reuni com o senhor Puigdemont e não tenho nenhum reparo nesse sentido".
Ceuta, imigração e papel do Governo
Em relação à situação em Ceuta, Illa defendeu que a reação não pode se basear no egoísmo, mas na solidariedade, e avaliou que o Governo está "à altura das circunstâncias", combinando a defesa das fronteiras e do marco jurídico com o respeito aos valores humanitários e à dignidade das pessoas.
Evitou qualificar a atuação de Marrocos como um possível ataque híbrido ao admitir: "Não tenho toda a informação", mas insistiu que a estratégia deve passar por reforçar a cooperação com o continente africano e que a União Europeia deve acelerar nessa direção.
Interrogado sobre a nova proposição de lei de Junts para delegar competências em matéria de imigração, mostrou-se favorável: "Eu não sou daqueles que, quando há um incêndio, dizem 'que passe o Governo da Espanha', mas sim que a Catalunha vai e enfrenta isso. Gostaria que avançasse e, se pudermos ajudar para que assim seja, faremos".
Situação política espanhola e liderança de Sánchez
Ao analisar a legislatura na Espanha, Illa apontou que a decisão sobre a data das próximas eleições gerais cabe ao presidente do Governo, e expressou sua convicção de que Pedro Sánchez convocará as eleições quando considerar adequado e "velando pelos interesses do conjunto do país e também pelos interesses de uma visão aberta e plural da Espanha".
Sobre uma eventual troca de Sánchez à frente do PSOE, replicou: "Acho que é muito mais pertinente propor um debate sobre a sucessão do senhor Feijóo do que sobre a liderança consolidada na Espanha e internacionalmente do senhor Sánchez".
A Diada será celebrada na Extremadura
Finalmente, Illa adiantou que, pela primeira vez, o ato de celebração da Diada Nacional da Catalunha no resto do Estado, que tradicionalmente era organizado em Madrid em datas próximas ao 11 de setembro, será transferido para fora da capital.
A comemoração terá lugar na Extremadura nos dias 16 e 17 de setembro: "Para sublinhar a contribuição de muitos milhares de extremenhos à Catalunha e de muitos catalães de origem extremenha. A ideia é fazê-lo este ano na Extremadura e no ano que vem em outro território".