Puigdemont qualifica de tragédia a vitória da AfD em Saxônia-Anhalt e lamenta seus efeitos para a Alemanha e Europa

Puigdemont considera uma "tragédia" a vitória da AfD na Saxônia-Anhalt e alerta para uma virada autoritária apesar da queda da CDU nas urnas.

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O ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, reagiu à vitória eleitoral do partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt, que descreveu como uma "tragédia". "Sinto pena pela Alemanha e pela Europa", afirmou.

"A indiscutível vitória do AfD na Saxônia-Anhalt é fruto de uma longa cadeia de irresponsabilidades na qual todo mundo tem uma parte da culpa. A notícia me parece uma tragédia", manifestou este domingo Puigdemont em uma mensagem publicada na rede social X e divulgada pela Europa Press.

O dirigente catalão se pronunciou assim depois que o AfD se impôs nas eleições regionais realizadas no estado federado da Saxônia-Anhalt, embora sem alcançar os apoios necessários para governar sozinho, o que obriga a explorar um executivo sustentado pelo resto das forças políticas.

Para o ex-presidente, o pano de fundo da vitória do AfD é "a substituição da democracia por um modelo pós-democrático com menos deliberação, mais autoritarismo e mais violência social; que passa por parecer muito mais eficaz na gestão dos problemas sem ter que se preocupar com minorias, dissidentes, direitos fundamentais e outros "obstáculos" que freiam o progresso".

"O modelo chinês, o modelo de Trump, o de Putin, mas também o daqueles governos democráticos que nos últimos anos endureceram suas legislações sobre segurança nacional para permitir práticas autoritárias e contrárias ao Estado de direito; que negligenciaram os valores democráticos e os colocaram hierarquicamente abaixo do interesse do negócio que fazem precisamente com países governados por autocratas e criminosos", acrescentou.

"O QUE ACONTECEU NA SAXÔNIA-ANHALT É UM AVISO MUITO SÉRIO"

Nesta linha, alertou que o que aconteceu na Saxônia-Anhalt constitui "um aviso muito sério", não só pelo "profundo revés" que, a seu entender, acabaram de sofrer os partidos e as instituições, mas pela "mesma ideia de democracia, que depois de proporcionar décadas de paz e prosperidade a milhões de europeus é objeto de uma estratégia calculada para derrubá-la, precisamente agora que apresenta sintomas de fadiga e na qual faria falta uma regeneração baseada em seus princípios, em suas raízes fundacionais".

Puigdemont questionou a ética da AfD, advertindo que, "se a tem", trata-se de uma ética que "questiona abertamente" a própria noção de democracia. Também apontou que não sente "pena" pela conservadora União Democrata Cristã (CDU), que ficou relegada ao segundo lugar, alegando que "demonstraram que os princípios democráticos lhes fizeram muita falta e preferiram fazer de lacaios do pós-franquismo espanhol do PP antes de ouvir o apelo de milhões de democratas europeus da Catalunha".

"Sinto pena pela Alemanha, que é um país que quero e admiro, e pela Europa, que é um projeto pelo qual vale a pena lutar sempre, nas verdes e nas maduras", rematou.

A CDU desmorona enquanto a AfD beira a maioria absoluta

Segundo a última projeção de voto real elaborada pela Infratest Dimap para a cadeia pública alemã ARD, a AfD teria obtido em torno de 44% dos sufrágios, o que lhe concederia 39 assentos, um número ainda abaixo dos 42 lugares necessários para garantir a maioria absoluta no Parlamento regional.

A conservadora CDU ficaria em segundo lugar com 17,8% de apoio, ou seja, 19,3 pontos a menos do que na anterior eleição, o que se traduziria em cerca de 16 deputados.

Em terceira posição figurariam empatados o histórico Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e A Esquerda, com cerca de 9% dos votos e 8 assentos cada um. A seguir estariam Os Verdes, com 8,7% e também 8 representantes, enquanto que em sexto lugar apareceria a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), com 5,1%, à frente do Partido Liberal Democrata (FDP), que ficaria com 2,4%. O limiar mínimo para conseguir representação parlamentar está situado em 5%.

A participação se tornou outro dos dados destacados da jornada eleitoral, ao alcançar 80%, muito acima dos 60,3% registrados nas eleições regionais de 2021.

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