Extremadura alerta que o Estatuto Marco não assegura as melhorias por não contar com partida econômica

Extremadura critica que o novo Estatuto Marco avance sem memória econômica nem consenso sindical, gerando incerteza entre os sanitários.

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A conselheira de Saúde e Atenção à Dependência, Sara García Espada, advertiu que o Projeto de Lei do Estatuto Marco foi elaborado sem uma dotação orçamentária específica para sua aplicação e, em consequência, "portanto, não garante aquelas melhorias que contempla".

Após ter recebido na última terça-feira a aprovação do Governo para iniciar sua tramitação parlamentar nas Cortes Gerais, sublinhou que o documento atualmente em circulação "também não reflete o sentir dos profissionais que mantêm uma greve nacional frente ao estatuto marco, então veremos que percurso terá no Congresso dos Deputados".

García Espada enfatizou que o Executivo autonômico mantém sua posição em relação ao Estatuto Marco, e que sua intenção é apoiar apenas "as melhorias que sejam viáveis que cheguem de forma certa e rigorosa a todos os profissionais do Sistema Nacional de Saúde".

Em declarações à imprensa em Badajoz, a conselheira recordou o cenário de conflito que o Estatuto Marco gerou em todo o país, destacando que os sindicatos majoritários que assinaram o acordo com o Ministério da Saúde também expressaram "sua indignação" porque o texto definitivo "não era igual" ao que haviam assinado.

Questionada sobre os aspectos do projeto que poderiam ser considerados favoráveis, evitou pronunciar-se e preferiu aguardar o avanço da tramitação. Em relação à ausência de consignação econômica e seu impacto nas comunidades autônomas na hora de aplicar o Estatuto, destacou que é "muito sincera" e que já manifestou isso publicamente.

Neste ponto, ressaltou que, a título pessoal, pediu à ministra da Saúde, Mónica García, em um Conselho Interterritorial, a presença de três departamentos do Governo central que, em sua opinião, deveriam se envolver na negociação do Estatuto Marco "que impunha a ministra": os ministérios da Fazenda, da Função Pública e da Segurança Social, "porque afeta a muitos aspectos de todos os profissionais do Sistema Nacional de Saúde".

Segundo relatou, "foi-lhe facilitado o convite desde o Ministério da Saúde e já sabem qual foi a resposta, que as três cadeiras ficaram vazias. Não é que vieram seus três colegas ministros, é que não enviou ninguém em representação", indicou García Espada, que considera que "a ministra está sozinha, totalmente sozinha" impulsionando um Estatuto Marco no qual esta terça-feira, após sua aprovação no Conselho de Ministros para sua remissão ao Congresso, "nem sequer comparece em coletiva de imprensa".

Adicionou que a porta-voz do Governo se referiu ao assunto "com uma linha", de maneira que "dá-se por encerrado o tema e continua o avanço do texto"; algo que, na opinião da responsável extremenha de Saúde, "isso gera muita incerteza nos profissionais".

Nesta linha, reiterou que as supostas melhorias que "satisfazem a alguns" não dispõem de respaldo econômico e lembrou o ocorrido com a Lei ELA, dado que "este Governo Nacional é capaz de tudo" e "teve mais de um ano os pacientes ELA sem poder lhes brindar a prestação porque não havia consignação econômica".

Por isso, insistiu que "qualquer medida que não leve consignação econômica ou consignação orçamentária não vai ser realizada" e ressaltou que não desejam que nenhum profissional "se sinta enganado" com este projeto normativo. "Portanto, solicitamos no Conselho Interterritorial, de forma repetida, a memória jurídica, a memória legal que amparasse esse estatuto e, por supuesto, a memória econômica que pudesse medir o impacto dessas medidas", mas "nunca chegaram".

A conselheira voltou a sublinhar que os sindicatos majoritários que subscreveram o acordo inicial discordam do texto que continua seu curso e que a ministra "se enfrenta sozinha a esta situação". "Ontem não se lhe dá a palavra após o Conselho de Ministros e supomos que terá a palavra o Congresso dos Deputados, mas começa um caminhar no qual vamos ver como avança o texto", concluiu.

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