Uma ginecóloga lembra que a gravidez não é uma doença e aconselha a continuar ativa durante a gestação.

A doutora Alicia Álvarez defende que a gravidez não é uma doença e advoga por uma vida ativa, um controle personalizado e revisões ginecológicas preventivas.

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A ginecologista da HLA Clínica Montpellier, a doutora Alicia Álvarez, insistiu que a gravidez "não deve ser vivida como uma doença" e destacou que, quando a gestação ocorre sem incidentes, é recomendável manter certa atividade física, sempre com diretrizes individualizadas para cada mulher e sob supervisão médica.

"Em uma gravidez sem complicações, manter uma vida ativa e realizar exercício físico adaptado costuma ser benéfico", apontou Álvarez por ocasião do Dia Internacional da Obstetrícia, que se celebra todo 31 de agosto, sublinhando que o movimento ajuda tanto ao bem-estar físico quanto ao emocional da gestante.

A especialista destaca, além disso, que um dos avanços mais notáveis em obstetrícia nos últimos anos foi o desenvolvimento do diagnóstico pré-natal. As melhorias na ultrassonografia obstétrica, nos testes de triagem e nas técnicas diagnósticas, junto com uma maior capacidade para detectar complicações de forma precoce, permitem um controle mais detalhado da gravidez e facilitam a intervenção antes quando considerado oportuno.

No entanto, Álvarez ressalta que o progresso neste campo não pode ser avaliado apenas pela tecnologia disponível, já que "também se evoluiu para um modelo de atendimento mais personalizado, no qual se levam em conta as características, necessidades e preferências de cada mulher". Essa forma de trabalho coloca a paciente no centro das decisões e adapta os cuidados à sua situação concreta.

Segundo a ginecologista, essa personalização começa até mesmo antes da concepção. A consulta pré-concepcional serve para revisar antecedentes médicos, medicação habitual, estilo de vida e calendário vacinal, além de ajustar aqueles fatores que possam condicionar o curso da gestação. Uma vez confirmado a gravidez, os controles são organizados por trimestres com o objetivo de vigiar tanto a saúde da mãe quanto o crescimento e desenvolvimento do feto.

Álvarez também foca em um aspecto que considera chave: a esfera emocional da mulher grávida. "Muitas vezes, as pacientes não precisam apenas que digamos que está tudo bem; precisam compreender o que estamos fazendo, por que fazemos e saber que, além disso, podem consultar todas as suas dúvidas", indicou, aludindo à importância de uma comunicação clara e próxima durante todo o processo.

Para a especialista, um dos desafios atuais da obstetrícia é encontrar o ponto justo entre a inovação e o trato humano. "O desafio está em utilizar os avanços tecnológicos de maneira adequada, evitando tanto a medicalização desnecessária quanto a realização de testes que não tragam um benefício real para a paciente", afirmou, defendendo um uso prudente e razoável das novas ferramentas diagnósticas.

A revisão ginecológica como prevenção ao longo da vida

Além da gravidez, Álvarez lembra que a atenção ginecológica deve ser planejada de forma integral e continuada. As revisões, explica, devem se adaptar à idade, aos antecedentes pessoais e familiares e à situação de cada mulher, com especial atenção aos programas de triagem do câncer do colo do útero e a sinais de alerta como sangramentos anômalos, dor pélvica persistente ou mudanças importantes no ciclo menstrual.

Nessa linha, a ginecóloga concebe a visita periódica ao especialista como "uma ferramenta de prevenção e cuidado da saúde da mulher ao longo de toda a sua vida", e não apenas como um recurso ao qual recorrer quando já apareceu um problema ou um desconforto concreto.

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