Tim Cook deixa a direção da Apple com "enorme confiança" em seu relevo, John Ternus

Tim Cook deixa a direção da Apple após 13 anos e passa o testemunho a John Ternus, em plena corrida pela inteligência artificial e novos desafios globais.

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O conselheiro delegado da Apple, Tim Cook, enviou uma carta de despedida a toda a equipe em seu último dia à frente da tecnológica, na qual agradece o compromisso dos funcionários e expressa sua "enorme confiança" em John Ternus, que assumirá o cargo a partir de 1º de setembro.

"Sentirei falta de liderá-los e acompanhá-los em cada passo, embora me reconforte enormemente ceder o comando a alguém tão brilhante, maravilhoso e capaz como John. Poucas pessoas entendem o que é necessário para criar produtos que mudam o mundo como faz John, e estou extremamente entusiasmado com sua liderança", diz o comunicado, coletado pela 'Bloomberg'.

Cook assumiu as rédeas da Apple como conselheiro delegado em 24 de agosto de 2011, sucedendo o fundador Steve Jobs e consolidando a expansão dos iPhones, o produto estrela da casa, até levá-los aos bolsos de milhões de usuários em todo o planeta.

Durante seu mandato, a capitalização de mercado da Apple disparou mais de 13 vezes, passando de cerca de 348 bilhões de dólares (320 bilhões de euros) para cerca de 4,54 trilhões de dólares (4,17 trilhões de euros).

"A verdade é que, seja o que for que se possa dizer sobre meu sucesso, sei que tudo se deve a vocês. Vocês tiraram o melhor de mim. Em toda a minha vida, jamais havia visto nem trabalhado com uma equipe tão extraordinária, e a cada dia tenho a oportunidade de testemunhar mais exemplos disso", referiu-se Cook em relação à equipe da Apple.

A companhia se consolidou como uma das grandes empresas tecnológicas do século XXI, integrada no grupo das '7 magníficas' e situada como a segunda empresa listada mais valiosa do planeta, com uma capitalização próxima a 4,5 trilhões de dólares (cerca de 3,91 trilhões de euros na cotação atual).

No dia 20 de abril, a Apple comunicou oficialmente o final do mandato de Cook, que deixará a direção executiva nesta terça-feira, 1º de setembro, para passar a exercer como presidente executivo. Ternus, escolhido como sucessor, enfrentará uma etapa marcada pela ascensão da inteligência artificial e por crescentes tensões geopolíticas, incluindo tarifas e guerras comerciais.

"Juntos criamos algo muito maior do que qualquer um de nós poderia ter imaginado ou alcançado sozinho. E esse é o segredo do nosso sucesso. Extraímos o melhor de cada um. Apoiamo-nos mutuamente. Tornamos possível deixar nossa marca no universo, como Steve Jobs descreveu uma vez, graças a quem somos, ao que acreditamos, aos nossos valores e à nossa visão de mundo", ressaltou Cook.

O legado de Tim Cook à frente da Apple

A estratégia de Cook tem se concentrado em consolidar o smartphone como a interface principal entre os usuários e o ambiente digital. O iPhone tem sido constantemente aperfeiçoado e comercializado em escala global, de modo que a etapa de Cook tem sido marcada pela melhoria dos produtos concebidos na era de Steve Jobs — como os Mac, o iPhone, o iPad e a App Store — mais do que pelo lançamento de dispositivos tão disruptivos como foi o próprio iPhone.

Entre os desenvolvimentos surgidos sob sua liderança figuram o Apple Watch e os AirPods, que reforçaram o ecossistema da marca, embora sem se tornarem o núcleo do negócio, já que são comercializados principalmente como complementos do iPhone.

Ao mesmo tempo, Cook tem impulsionado uma forte aposta pela globalização, concentrando boa parte da produção na China e distribuindo depois os dispositivos por todo o mundo. Esse modelo permitiu à Apple reduzir custos de fabricação e acelerar sua expansão internacional.

Essa combinação de fatores contribuiu para que as ações da Apple se situem em torno de 310 dólares (285 euros), muito acima dos 11,25 dólares (10,35 euros) que marcavam em 2011.

No terceiro trimestre fiscal, correspondente aos meses de abril a junho, o gigante tecnológico registrou um lucro líquido recorde de 29.789 milhões de dólares (26.112 milhões de euros), um 27% a mais do que no mesmo período do exercício anterior.

Os desafios que enfrenta John Ternus

O novo CEO da Apple, até agora vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware e com 25 anos de trajetória na companhia, terá que manter o foco na inteligência artificial, que está transformando o setor a um ritmo sem precedentes.

Desde o início da atual onda de IA, após o lançamento do ChatGPT em 2022, a reação da Apple "tem sido morna" e agora "depende da família Gemini do Google", segundo destacou o The Economist.

No este contexto, a Apple tem sido percebida como mais lenta que concorrentes como Microsoft, Google ou Meta na corrida da IA. Seu assistente Siri, que incorpora tecnologia do Google, não conseguiu se consolidar como referência entre os assistentes de inteligência artificial.

Em seus últimos movimentos, a companhia integrou o chatbot da OpenAI, ChatGPT, e a ferramenta Visual Intelligence no Siri, dentro do pacote de novidades da Apple Intelligence, embora essas funções tenham suscitado preocupações sobre a proteção de dados e a privacidade.

Com o avanço da IA, Ternus terá que definir se mantém o modelo atual, no qual os dispositivos da Apple são a principal via de acesso a essa tecnologia, ou se opta por sacudir o mercado com novos produtos concebidos para se relacionar de forma distinta com a inteligência artificial. A Meta, por exemplo, já colocou no mercado óculos inteligentes com IA, e a Apple poderia explorar um caminho semelhante que representasse uma mudança em sua estratégia de produto.

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