Quase um mês depois da entrada maciça dos dias 30 e 31 de julho, a Espanha ainda não dispõe de um censo único das pessoas que permanecem em Ceuta. Os números divulgados por diferentes administrações oscilam entre vários milhares e cerca de 8.000, dependendo da data, da fonte e de qual população está sendo contabilizada.
A última referência relevante chegou nesta terça-feira do Congresso.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, afirmou que 90% das cerca de 80.000 pessoas que entraram já havia retornado ao Marrocos no dia 1 de agosto, o que deixa em torno de 10%, ou seja, aproximadamente 8.000 pessoas, que ainda estariam em Ceuta.
Vivas situou em 8 de agosto entre 8.000 e 11.000 o número de migrantes que permaneciam na cidade. Cinco dias depois, Marlaska reduziu a estimativa para cerca de 5.000.
Bruxelas foi mais prudente: no dia 18 de agosto reconheceu diretamente que "o número exato não está claro" e falou de "vários milhares".
Nesta terça-feira, a Comissão Europeia voltou a usar essa expressão e afirmou que persistem "importantes desafios" devido aos vários milhares de pessoas que continuam na cidade.
Por que não coincidem
Nem todos os números estão medindo exatamente a mesma coisa.
Há pessoas identificadas pela Polícia, outras com processos de devolução abertos, solicitantes de asilo, menores tutelados, pessoas acolhidas em recursos temporários e migrantes que continuam alojando-se fora da rede oficial.
A isso se soma o movimento de pessoas que foram retornando ao Marrocos durante estas semanas.
A ministra Elma Saiz reconheceu no fim de semana que ainda não existe um número global definitivo e explicou que cada pessoa deve ser identificada e ter um processo individual.
Os menores são uma contagem distinta
O Interior já identificou 2.500 menores, mas esse número também não equivale necessariamente ao número de menores que permanecem atualmente em Ceuta.
Parte está incorporada a recursos de proteção, outra permanece fora do sistema e o Governo prepara diferentes vias de traslado, reunificação ou eventual repatriação.
Por isso, também não podem ser somados sem mais os diferentes dados publicados sobre adultos e menores.
Mais vagas de acolhimento
O Governo tem habilitado recursos temporários para reduzir os assentamentos improvisados.
No final da semana passada, trabalhava-se em novos espaços para aproximadamente 1.800 pessoas, enquanto ainda permaneciam milhares fora de instalações estáveis.
A capacidade dos recursos e sua ocupação varia à medida que são realizados transferências, por isso qualquer mapa deve ser atualizado com dados oficiais e evitar identificar espaços sensíveis utilizados para menores.
Os retornos avançam mais devagar
Outro elemento que condiciona o número final são os processos.
Vivas cifrou o 20 de agosto em entre 25 e 30 por dia os processos de devolução que estava resolvendo a Polícia Nacional e considerou insuficiente esse ritmo.
O Executivo anunciou depois reforços e esta terça-feira estabeleceu um comando único para coordenar a resposta à crise.
Enquanto os processos continuarem abertos e não existir um novo recorte consolidado, falar de um número exato de migrantes em Ceuta seria prematuro.