Anticorrupção avaliza imputar à ex de Ábalos após admitir que recebeu sem comparecer ao trabalho

Anticorrupção apoia investigar a ex de Ábalos e a Zaldívar pela contratação irregular de Rodríguez na Ineco e Tragsatec.

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A Fiscalia Anticorrupção apoiou a imputação de Jéssica Rodríguez, ex-parceira do ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, no 'caso Koldo' que está sendo instruído na Audiência Nacional (AN). O Ministério Público sustenta que seu testemunho como testemunha no julgamento do 'caso máscaras' perante o Tribunal Supremo (TS), onde admitiu ter recebido salários de duas empresas públicas sem exercer funções, "é confiável" e "está corroborado" por "numerosos dados de prova".

Em um escrito ao qual teve acesso a Europa Press, Anticorrupção se opõe aos recursos das defesas de Rodríguez e Ignacio Zaldívar, ex-alto cargo do Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (Adif), contra a decisão de investigá-los pela suposta contratação irregular de Rodríguez nas sociedades públicas Ineco e Tragsatec entre 2019 e 2021, período em que Ábalos ocupava a pasta dos Transportes.

Ambos, Zaldívar e Rodríguez, estavam citados a depor como investigados no mês passado de julho, mas se acolheram ao seu direito de não responder. Nesse mesmo dia, compareceu também como investigado Joseba García, irmão de Koldo García, ex-assessor ministerial condenado pelo 'caso máscaras', que negou ter intervenido na incorporação laboral da ex-parceira de Ábalos na Adif.

Em relação a Rodríguez, Anticorrupção remete a um relatório anterior no qual já se mostrava favorável a chamá-la na qualidade de investigada. A defesa da ex-parceira do ex-ministro alegava, entre outros aspectos, que os fatos já teriam sido julgados no procedimento do 'caso máscaras' do Supremo, no qual Ábalos, Koldo García e o empresário Víctor de Aldama foram condenados a 24, 19 e quatro anos e meio de prisão, respectivamente.

Mais de 40.000 euros sem comparecer ao posto

Durante seu depoimento como testemunha no TS, Jéssica Rodríguez reconheceu que nunca chegou a se incorporar fisicamente ao seu posto na Ineco e afirmou que Ábalos conhecia essa circunstância. "Eu só tinha que fazer o que Joseba e Koldo me pedissem. Eu recebia e estava à espera do que me dissessem que tinha que fazer", relatou. A sentença do Supremo deu por acreditado que recebeu mais de 40.000 euros de ambas as entidades públicas.

A partir dessa resolução, Anticorrupção conclui que "a declaração de fatos provados da sentença do Tribunal Supremo em relação à participação de Jéssica Rodríguez em sua contratação pela Ineco e Tragsatec deve implicar necessariamente uma modificação de sua situação processual, passando a adquirir a condição de investigada".

A Fiscalia sublinha que Rodríguez "foi contundente ao afirmar que José Luis Ábalos conhecia tal realidade" e que foi a ele "quem transmitiu suas queixas pelos requerimentos de informação que estava recebendo".

O Ministério Público destaca ainda que a ex-parceira de Ábalos "confirmou, igualmente, a percepção mensal dos salários pactuados e que durante o período em que esteve contratada por ambas as empresas realizou diferentes viagens, até treze, com José Luis Ábalos". Esses deslocamentos, a juízo de Anticorrupção, encaixam-se com o resto dos indícios recolhidos na causa.

Confiabilidade do testemunho e papel de Zaldívar

Para a Fiscalia, a versão oferecida por Rodríguez "resulta confiável", embora reconheça que "poderia-se objetar" que, dado que sua "não descartável e potencial responsabilidade" penal está sobre a mesa, é obrigatório aplicar um critério de avaliação "muito mais cauteloso".

"Mas, mesmo assim, o juízo de confiabilidade não se ressente. O testemunho de Jéssica Rodríguez aparece decididamente corroborado em seus aspectos nucleares por numerosos dados de prova. Ou seja, está-se apontando para a eventual responsabilidade de Jéssica Rodríguez, consideração que não pode ser ignorada diante deste tribunal", acrescenta o escrito de Anticorrupção.

No que diz respeito a Ignacio Zaldívar, que também interveio como testemunha no Supremo pela suposta contratação irregular de Rodríguez, a Fiscalia descarta que tenham sido violados seu direito de defesa ou o direito de não declarar contra si mesmo. Precisa que "não são suas declarações que vêm a motivar sua imputação, mas as prestadas por outro testemunha", em referência a Virginia Barbancho, responsável pela Tragsatec no momento dos fatos.

Segundo lembra Anticorrupção, Barbancho, em um testemunho ao qual atribui "plena confiabilidade", explicou diante do alto tribunal que recebeu uma chamada de Zaldívar "intimidando-a" para "que deixassem em paz Jéssica Rodríguez, precisando-lhe que o ministro havia falado com a presidenta da Adif (naquele momento Isabel Pardo de Vera, também imputada nesta causa) para mostrar seu desagrado pela situação gerada".

"Ignacio Zaldívar reconheceu no ato do julgamento o conteúdo da referida conversa e como, de fato, havia sido solicitado pela presidenta da Adif, que lhe precisou que havia recebido indicações do ministro, para que transmitisse aos responsáveis da Tragsatec que não incomodassem Jessica Rodríguez", continua o Ministério Público.

Quanto à contratação na Tragsatec, a Fiscalia, apoiando-se nos fatos provados da sentença do Supremo, aponta que Pardo de Vera encarregou Zaldívar determinadas "gestões para procurar a contratação de Rodríguez" sem que fosse imprescindível realizar uma "entrevista prévia", o que reforça, em sua opinião, as suspeitas de irregularidade.

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