Coricelli melhora sua proposta por Deoleo até 500 milhões e reclama exclusividade até fechar a negociação

Coricelli eleva sua oferta por Deoleo a 500 milhões, supera a Dcoop e Acesur e exige exclusividade em uma operação chave para o setor oleícola.

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A multinacional italiana Coricelli decidiu aumentar sua proposta de compra pela Deoleo para 500 milhões de euros, posicionando-se acima das ofertas apresentadas pelas espanholas Dcoop e Acesur, e também solicitou ter exclusividade na negociação até que a operação seja concluída.

Concretamente, a empresa oleira de Pietro Coricelli reagiu após receber há uma semana a comunicação da KPMG, um dos assessores do processo junto com a William Blair, que a deixava fora da disputa pelo fabricante de Carbonell e Bertolli. Como resposta, no dia 15 de agosto, em pleno 'ferragosto' italiano, apresentou uma contraproposta de 500 milhões de euros, superando assim os 470 milhões de euros propostos pela Dcoop e os 460 milhões da Acesur, segundo publica o jornal italiano 'Italia Oggi', citado pela Europa Press.

Junto à melhoria econômica de sua proposta, que ultrapassa os números apresentados pelas empresas espanholas, Coricelli teria exigido ter "exclusividade na negociação" até o fechamento definitivo da transação, uma condição que poderia receber luz verde ao longo deste dia, segundo indicaram à Europa Press fontes conhecedoras do processo.

O processo de venda do dono de marcas como Koipe e Carbonell se intensificou nas últimas semanas e espera-se que conclua em setembro. Os fundos CVC e Alchemy, que controlam 50,9% e 40,3%, respectivamente, do capital da Deoleo, confirmaram que estudam diferentes alternativas estratégicas para seu investimento, entre as quais contemplam a "possível venda" total ou de "parte de seus ativos e negócios", segundo comunicaram à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV).

A Deoleo esclareceu que, até a data de 19 de agosto, "não havia tomado nenhuma decisão definitiva" e ressaltou que desconhecia se o processo, "atualmente em curso", resultará em uma "operação concreta nem, em seu caso, os termos em que esta poderia ser realizada".

As expectativas em torno da operação impulsionaram com força a cotação da multinacional oleícola espanhola. Na última quarta-feira, suas ações chegaram a subir até 25,14%, enquanto que nesta sexta-feira, às 12h38, retrocediam 2,08%, situando-se em 0,47 euros por ação.

Um setor chave para a economia espanhola

Neste cenário, CCOO reivindicou que o futuro comprador da Deoleo garanta emprego estável e de qualidade, assim como o enraizamento industrial na comunidade. O sindicato aposta na entrada de um investidor que priorize projetos de capital nacional e rejeita a chegada de fundos ou rivais que possam comprometer a reputação do produto e a segurança no emprego.

O secretário-geral da CCOO Indústria da Andaluzia, José Hurtado Quirós, instou a Administração a ativar a normativa sobre investimentos estrangeiros para proteger a capacidade produtiva do setor oleícola frente a fundos de caráter especulativo, da mesma forma que o Governo já atuou no caso da Talgo, quando foi bloqueada a OPA do grupo húngaro Ganz-MaVag (Magyar Vagon) sobre a companhia espanhola.

Fontes da Dcoop consultadas pela Europa Press pediram que o comprador final desta operação esteja "alinhado com a qualidade e a luta contra a fraude", e advertiram que "seria ruim para a Espanha perder a liderança em um setor tão estratégico".

Por sua vez, o prefeito de Córdoba, José María Bellido, se pronunciou sobre a possível aquisição da Deoleo por parte da Dcoop e destacou que "se pode ficar na terra, melhor ainda", acrescentando que lhe "parece bem, evidentemente, porque é uma cooperativa da terra" e um "gigante do setor".

Nessa linha, Bellido sublinhou que "por trás de uma grande cooperativa e dessa empresa, há muitos pequenos produtores que são os que depois fornecem seu produto a essas empresas ou cooperativas". "Muitas famílias que vivem do trabalho que esses pequenos produtores oferecem, com o que estamos apostando muito e evidentemente aí estaremos para ajudar", ressaltou.

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