O 2 de setembro de 2026 não será um dia qualquer em Ceuta. E é o Dia da Cidade, feriado oficial, mas este ano coincide com o momento de maior mobilização nacional de apoio à cidade autônoma desde que começou a crise migratória no final de julho.
A Federação Espanhola de Municípios e Províncias convocou no dia 25 de agosto os municípios espanhóis a celebrar concentrações às 20h00 em frente aos seus consistórios. Ao mesmo tempo, uma mobilização cidadã paralela tem se espalhado por centenas de localidades. A 29 de agosto, o mapa elaborado pela plataforma Ceuta nos une registra 317 concentrações confirmadas em 46 províncias.
Isso não significa que os 8.132 municípios espanhóis vão se concentrar. A FEMP fez um apelo geral a todos eles, mas ainda não existe um registro institucional que confirme a participação de cada município. O número de mais de 300 provém de um compilado cidadão que é atualizado conforme recebe e verifica novas convocações.
O que se celebra exatamente no dia 2 de setembro em Ceuta
O 2 de setembro é oficialmente o Dia da Cidade Autônoma de Ceuta.
A data foi estabelecida pela Assembleia de Ceuta por meio de um acordo plenário de 1 de outubro de 1997. A proposta contou com a unanimidade dos grupos presentes e começou a fazer parte do calendário de festas laborais em 1998.
Há um matiz histórico importante. O 2 de setembro não é o aniversário da conquista portuguesa de Ceuta.
João I de Portugal tomou a cidade em 21 de agosto de 1415. O que ocorreu no dia 2 de setembro foi outro episódio decisivo: o monarca nomeou Pedro de Meneses primeiro governador da praça depois de decidir mantê-la sob domínio português. Dessa etapa procedem elementos que continuam fazendo parte da identidade institucional de Ceuta, entre eles seu escudo, sua bandeira e a tradição do áleo ou bastão de mando.
Em 2026, o Dia de Ceuta volta a figurar como festa laboral da cidade. Tanto o calendário oficial ceutiano quanto o publicado no BOE registram a quarta-feira, 2 de setembro, como feriado na Cidade Autônoma, mas não no resto da Espanha.
Por que este ano haverá concentrações por toda a Espanha
A data adquiriu uma dimensão extraordinária pela crise iniciada nos dias 30 e 31 de julho.
A entrada massiva vinda de Marrocos transbordou durante horas o dispositivo fronteiriço e abriu uma crise que se prolongou durante todo agosto. O Interior chegou a estimar umas 72.000 entradas, enquanto milhares de pessoas continuaram posteriormente na cidade pendentes de identificação, pedidos de proteção, atendimento a menores ou procedimentos de retorno.
A pressão foi mudando de natureza. Primeiro foi fronteiriça. Depois chegou o problema da acolhida, a assistência sanitária e os menores. Na última semana de agosto, o foco se deslocou para a convivência e a ordem pública, com sucessivas manifestações e episódios de violência.
Foi nesse cenário que a presidenta da FEMP, María José García-Pelayo, viajou a Ceuta no dia 25 de agosto e anunciou o chamamento a todos os governos locais.
A convocação institucional estabelece uma referência comum: quarta-feira, 2 de setembro, às 20.00 horas, em frente aos municípios. A FEMP a apresenta como uma demonstração de "solidariedade e apoio a Ceuta" e reiterou depois seu pedido aos consistórios para que se juntem.
Mais de 300 concentrações, mas nem todas são às 20.00 horas
O mapa cidadão disponível a 29 de agosto eleva a 317 as concentrações confirmadas em 46 das 52 províncias que contabiliza o portal.
A grande maioria está prevista para às 20.00 horas, embora haja exceções. La própria Ceuta figura às 19.00; Sevilha, às 19.30; Pontevedra, às 20.30; Ciudad Real, às 19.30; e outras localidades anunciaram horários diferentes.
Por isso não convém assumir automaticamente que qualquer concentração começa às oito da tarde. A hora, o lugar e o convocador devem ser verificados em cada município antes de se deslocar.
Madri, Barcelona, Zaragoza, Las Palmas de Gran Canaria, A Coruña e numerosas capitais e municípios já figuram no mapa. Em províncias como Sevilha acumulam-se uma dúzia de convocações e a lista continua se modificando à medida que se aproximam as mobilizações.
Não existe uma única organização por trás do 2 de setembro
Outro elemento que pode gerar confusão é quem convoca.
Por um lado está a FEMP, que chamou institucionalmente os municípios a organizar concentrações.
Por outro, existe uma mobilização cidadã que está coletando e promovendo convocações em localidades de toda a Espanha sob o lema "A favor do povo de Ceuta e por nossa Unidade". Seu próprio portal se define como uma convocação cidadã.
E em Ceuta existe uma terceira dinâmica. As protestas surgidas na cidade durante a última semana de agosto foram temporariamente freadas pelo temor de alguns organizadores de que fossem vinculadas a episódios violentos ou grupos ultras. A Federação Provincial de Associações de Moradores e o Fórum Ceuta Século XXI transferiram sua próxima grande mobilização precisamente para o dia 2 de setembro.
As três correntes coincidem na data, mas não são a mesma convocação nem têm necessariamente os mesmos organizadores ou reivindicações.
O 2 de setembro também abriu uma discussão política
O chamamento da FEMP não nasceu com unanimidade política.
O Grupo Socialista e os grupos de Esquerda Unida-Compromís-Comuns-Podemos, ERC e Junts dentro da Federação sustentaram que a presidenta da instituição tomou unilateralmente a decisão de convocar as concentrações e outras medidas relacionadas com Ceuta. O PP apoia a iniciativa.
A discrepância é importante porque não equivale automaticamente a uma rejeição de todos esses partidos a participar em atos de apoio a Ceuta.
A situação muda município a município. Há corporações que anunciaram sua adesão, outras que expressaram reservas sobre a forma como se produziu a convocação e algumas que decidiram expressamente se desmarcar.
Por isso, o mapa do dia 2 continuará se movendo até praticamente o início dos atos.
Seis províncias ainda sem concentrações no mapa cidadão
A última lista de Ceuta nos une não registra, por enquanto, concentrações em Álava, Lugo, Ourense, Palência, Segóvia e Sória.
Que uma província não apareça ainda no mapa não significa que seus municípios tenham rejeitado a iniciativa da FEMP. Pode significar simplesmente que não existe uma convocação comunicada ao compilado ou que ainda não foi confirmada.