SpainDC adverte que o novo marco para os centros de dados pode frear o investimento na Espanha

A associação anuncia alegações ao Projeto de Real Decreto e reclama mais tempo para analisá-lo e uma mesa técnica com o setor

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Até 90% de investimentos em centros de dados em risco. Nesse percentual cifra Spain DC o efeito que sobre o setor poderia ter o novo marco regulatório que prepara o Governo da Espanha, e que obrigaria a que 80% da energia desses centros procedesse de renováveis a cada hora.

A associação anunciou que apresentará alegações ao Projeto de Real Decreto e reclama mais tempo para analisá-lo e uma mesa técnica com o setor. Consideram que “a intensidade e acumulação de algumas das exigências previstas, junto com o calendário proposto para sua aplicação, podem comprometer investimentos já em andamento e dificultar a viabilidade de projetos que se encontram em fases avançadas de desenvolvimento”.

No entanto, desde SpainDC asseguram que compartilham “os objetivos de sustentabilidade, eficiência, soberania digital e crescimento ordenado que persegue o Governo, mas sustentam que determinadas condições do Projeto podem reduzir a capacidade da Espanha para competir com outros mercados europeus na hora de atrair novos investimentos digitais”.

Se o Real Decreto for aprovado nos termos atuais, sublinham, Espanha passaria a contar com o marco regulatório mais restritivo da União Europeia. Esta orientação, acrescentam, contrasta com a de outros países comunitários que, a seu ver, estão tentando combinar os objetivos de sustentabilidade e soberania digital com a capacidade de atrair novos projetos.

Preocupação pelos projetos já iniciados

Um dos principais motivos de preocupação para SpainDC é que as novas exigências afetariam também a projetos que começaram a se desenvolver sob o marco regulatório anterior. Alguns deles podem acumular anos de trabalho e contar já com compromissos de investimento.

O presidente da associação, Emilio Díaz, aponta que as decisões de investimento neste setor são adotadas a muito longo prazo. Quando uma Administração concede um permissão de acesso e conexão, explica, um projeto pode já ter começado a comprometer solo, financiamento, obras, equipamentos, contratos energéticos e acordos com terceiros.

Por isso, SpainDC considera especialmente problemático que possam ser modificadas de maneira estrutural as condições dessas investimentos e que os projetos disponham de apenas seis meses para se adaptar ao novo cenário. Díaz adverte que essa combinação apresenta um problema de segurança jurídica e de proporcionalidade.

A diretora executiva da SpainDC, Begoña Villacís, concorda que ordenar o crescimento do setor não deveria se traduzir na saída de investimentos que a Espanha já conseguiu atrair. Em sua opinião, uma regulamentação projetada para reforçar a soberania digital poderia acabar produzindo o efeito contrário se provocar que o investimento, o emprego e a capacidade de computação se situem fora do país.

Projetos que já avaliam outros mercados

A associação assegura que o risco de perda de investimento não é unicamente uma hipótese. Segundo a SpainDC, existem projetos e planos de investimento que já começam a avaliar alternativas de localização em outros mercados europeus diante da possibilidade de que a Espanha adote um marco mais rígido, menos previsível e difícil de compatibilizar com os prazos reais que requer o desenvolvimento dessas infraestruturas.

Villacís aponta que a demanda por inteligência artificial, serviços em nuvem e outros serviços digitais continuará existindo, embora as infraestruturas necessárias para prestá-los não sejam construídas na Espanha. Nesse caso, acrescenta, os centros de dados seriam levantados em outros mercados e seriam essas instalações que forneceriam os serviços digitais a empresas e cidadãos espanhóis.

O último Relatório Anual da SpainDC estimava em 66.900 milhões de euros o investimento direto e indireto acumulado que poderia ocorrer entre 2026 e 2030 em uma situação de continuidade.

Esse mesmo relatório calculava que, em um cenário restritivo, o investimento poderia ser reduzido em 36%. A SpainDC indica agora que essas previsões podem ter ficado até curtas diante do conteúdo do novo projeto normativo.

A estimativa anterior já contemplava uma tendência negativa marcada por restrições de rede, maiores dificuldades regulatórias, atrasos e deslocamento de projetos para outros mercados. No entanto, segundo a associação, aquele cálculo não incorporava um marco regulatório da intensidade do que propõe agora o Projeto de Real Decreto nem a acumulação de exigências que contém.

As exigências que preocupam o setor

SpainDC sim compartilha a necessidade de combater a especulação e de liberar capacidade elétrica vinculada a projetos de centros de dados que não tenham uma expectativa real de execução. A associação, no entanto, considera que para fazê-lo deveriam ser utilizados critérios relacionados com a maturidade dos projetos, o investimento já comprometido, o avanço efetivo das iniciativas e o cumprimento de marcos.

O objetivo seria diferenciar uma reserva de capacidade de caráter especulativo de um projeto que conte com um desenvolvimento real e compromissos concretos.

Além desta questão, identificam outras áreas do Projeto de Real Decreto que geram preocupação. Entre elas se encontram a combinação dos requisitos de adicionalidade e correlação renovável, as exigências de eficiência energética e hídrica, a rigidez contratual e o regime de sobretaxas.

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