Telefónica fechou a venda de sua histórica sede do número 28 da Gran Vía de Madrid ao empresário imobiliário Tomás Olivo por 200 milhões de euros, culminando uma operação acordada meses atrás.
A compravenda foi escriturada este 1 de setembro, segundo fontes conhecedoras da transação citadas por Cinco Días. Olivo controla General de Galerías Comerciales (GGC), um dos principais grupos espanhóis de centros comerciais.
A operação supõe a saída do patrimônio da Telefónica de um imóvel estreitamente ligado à história da companhia durante praticamente um século.
Telefónica aspirava inicialmente a uns 300 milhões
Telefónica havia colocado o edifício no mercado no final de 2025 e contratou Rothschild como assessor para dirigir o processo.
A companhia buscava inicialmente se aproximar dos 300 milhões de euros, mas as características urbanísticas do imóvel foram condicionando as ofertas.
O edifício conta com um elevado grau de proteção patrimonial e mantém atualmente um uso dotacional de infraestruturas privado e cultural. A falta de expectativas de que a Prefeitura de Madrid permitisse transformá-lo para outros usos terciários reduziu o atrativo do ativo para alguns investidores.
Durante o processo mostraram interesse diferentes fundos e empresários, enquanto Tomás Olivo manteve paralelamente suas negociações com a Telefónica até alcançar um acordo.
Finalmente, o preço se situou em 200 milhões de euros, com uma fórmula que contempla também a repartição entre as partes à medida que avance o futuro projeto do imóvel, embora não tenham transcendido todos os detalhes econômicos.
Um dos primeiros arranha-céus da Espanha
A sede da Telefónica da Gran Vía foi construída entre 1926 e 1929 sob a direção do arquiteto Ignacio Cárdenas.
O imóvel se tornou um dos primeiros grandes arranha-céus modernos da Espanha e durante anos foi o edifício mais alto do país.
De lá se desenvolveu boa parte da primeira infraestrutura telefônica de Madrid e o imóvel acabou se tornando um dos principais símbolos corporativos da Telefónica.
A companhia transferiu em 2006 sua principal atividade para o complexo Distrito Telefónica, em Las Tablas. Gran Vía 28 continuou abrigando posteriormente espaços culturais, exposições e dependências da Fundação Telefónica.
A estratégia de desinvestimentos da Telefónica
A venda chega dentro do processo de revisão de ativos e negócios desenvolvido desde a chegada de Marc Murtra à presidência da Telefónica.
A operadora tem buscado durante os últimos meses reduzir custos e dívida e concentrar sua atividade em seus mercados considerados estratégicos: Espanha, Alemanha, Reino Unido e Brasil.
Dentro desse processo, a Telefónica reduziu sua presença na América Latina, fez um novo ajuste de pessoal e também se desfez de outros investimentos financeiros.
Para Tomás Olivo, a compra incorpora um dos imóveis mais singulares do centro de Madrid a uma carteira imobiliária liderada pela General de Galerías Comerciales e seus grandes complexos comerciais.