Ampliação | Enviados de Trump viajam pela primeira vez a Kiev após sua passagem por Moscovo para tratar da guerra com a Rússia

Os enviados de Trump viajam a Kiev após se reunirem em Moscovo para impulsionar negociações de paz e explorar o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

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Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegaram neste domingo à Ucrânia após uma jornada de reuniões em Moscovo com responsáveis russos, na qual constitui sua primeira visita ao território ucraniano desde o início da guerra em fevereiro de 2022.

Em Kiev, Witkoff e Kushner se entrevistaram com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, que sublinhou que sua presença na capital ucraniana "funciona melhor que os Patriot", aludindo à trégua de três dias que evitou ataques tanto sobre Kiev quanto sobre Moscovo coincidindo com a estadia dos emisários americanos.

"Hoje vocês funcionaram até melhor que os sistemas Patriot para nossos cidadãos da capital. Obrigado. Venham mais frequentemente e nosso povo terá a oportunidade de viver um pouco mais", afirmou Zelenski.

O chefe do Estado ucraniano reiterou igualmente sua aposta por uma saída negociada. "Todos estamos aqui no mesmo lado. Todos queremos que não haja guerra, que não haja sofrimento, que não morra gente e que esta guerra termine com uma paz justa, justa para todos nós", assinalou. "E que a guerra termine de forma que jamais haja uma possibilidade de que se repita a agressão russa contra a Ucrânia", acrescentou.

Zelenski avançou que nas próximas datas serão celebrados encontros entre delegações da Ucrânia, Estados Unidos e vários países europeus para tentar avançar em direção à paz, embora ainda falte definir, por exemplo, o local da reunião. "Não sei onde será a reunião. Na Europa, Estados Unidos ou talvez outra vez na Ucrânia. Estamos abertos a qualquer opção", indicou.

No plano militar, o presidente ucraniano destacou que será incrementada a fabricação de mísseis antiaéreos Patriot em fábricas dos Estados Unidos e Alemanha, insistindo que esses sistemas continuarão sendo imprescindíveis mesmo após o conflito. "Nós ainda precisaremos deles", defendeu.

Além disso, pediu a Washington que impulse novas sanções contra a Rússia, embora tenha admitido que este assunto "não foi tratado hoje", dado que a agenda de Kushner e Witkoff se concentrou na reabertura das conversas.

Trump, a paz e as oportunidades econômicas

Durante sua comparecência, Kushner explicou que seu sogro e presidente, Donald Trump, deseja que "terminem as mortes" e que possam aproveitar as "oportunidades de negócio". "O presidente Trump sempre diz que quanto mais difícil, melhor. Se vale a pena, é preciso dar tudo o que tiver e por isso ele está tão decidido a que termine esta guerra e acabem as mortes, a que se reúnam as famílias e que, esperamos, fazer o que mais gosta, que é concentrar-se em investir em oportunidades de negócio para que os países se unam e que haja prosperidade e oportunidades para os ucranianos e europeus", expôs.

Kushner considera que a Ucrânia "tem o potencial para se tornar uma grande nação". "Por isso o presidente Trump adoraria isso", acrescentou diante da imprensa.

O enviado americano assegurou que a visita de sábado a Moscou permitiu alcançar "avanços significativos" e apontou para a possibilidade de uma próxima reunião trilateral.

"Acho que conseguimos um avanço significativo em Moscou. Ouvimos novas ideias", indicou por sua vez Witkoff. "Vocês ouviram o presidente Zelenski falar sobre conversas trilaterais e esperamos que sejam anunciadas em um futuro próximo. Há muitas outras ideias convincentes que tratamos em Moscou que foram apresentadas aqui em Kiev. Acreditamos que a cooperação é crucial", acrescentou.

Segundo detalhou Zelenski, os representantes americanos mantiveram duas rodadas de diálogo com a parte ucraniana e, em uma terceira sessão, se juntaram delegados do Reino Unido, França e Alemanha.

Chegada de trem à capital ucraniana

Witkoff e Kushner chegaram a Kiev de trem, onde foram recebidos na estação por Kirilo Budanov, chefe do escritório da Presidência, e pelo responsável pelos serviços de Inteligência, Rustem Umerov, antes de iniciar uma nova rodada de contatos após seus encontros na Rússia, conforme informou a agência ucraniana UNIAN.

Instantes antes, o presidente Zelenski havia manifestado que Kiev "está interessado em aproximar o fim da guerra" com a Rússia. "Nos reunimos com nossa equipe negociadora antes do encontro com os enviados do presidente dos Estados Unidos. Estamos preparados para o diálogo", assinalou.

O próprio Zelenski recebeu no centro de Kiev os enviados, explicando à imprensa, enquanto aguardava sua chegada, que "os russos não permitiram que a delegação americana chegasse de avião apesar de nossos aeroportos estarem preparados".

Por sua parte, o assessor do Kremlin Yuri Ushakov indicou que a delegação americana apresentou no sábado ao presidente russo, Vladimir Putin, várias propostas para tentar encaminhar uma solução para o conflito na Ucrânia. "Os representantes americanos se prepararam conscientemente para esta viagem. sustentou.

Witkoff e Kushner haviam aterrissado no sábado em Moscou a bordo de um avião militar americano para expor uma proposta destinada a pôr fim à guerra, como havia antecipado Trump. Após essa escala, sua agenda previa reuniões neste domingo em Kiev dentro deste novo impulso diplomático para tentar fechar um conflito que se prolonga desde fevereiro de 2022, quando Putin ordenou a invasão.

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